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Como é certamente do agrado de Nuno Crato, e dos seus apaniguados, grande parte da crítica blogosférica à sua proposta de ADD, que acaba por ser reproduzida nos media, centra-se no acessório e ignora ou desvaloriza o essencial.

No caso presente o acessório são as isenções da avaliação e os grupos de professores a quem se dirigem, enquanto o essencial é que o modelo de prestação de contas que confunde uma escola com uma fábrica se mantém inalterado. Esse é o pano de fundo conceptual que junta ex-esquerdistas convertidos às maravilhas da globalização capitalista como Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato, fiéis auxiliares de jotinhas carreiristas promovidos a homens de Estado como Sócrates e Passos Coelho.

É por isso que me entristece verificar que gente com obrigação de pensar para lá dos antolhos anti-comunistas aplauda esta versão 3.0 do simplex avaliativo, apenas criticando o facto de os professores situados no 9º e 8º escalões ficarem isentos da avaliação.

Evidentemente que se trata de um aspecto criticável na proposta apresentada na sexta-feira aos sindicatos de professores. Mas bem pior é o facto de a mesma proposta reforçar os poderes de uma direcção, cuja natureza é essencialmente autocrática e anti-colegial, porque concentra na figura de um director todo poderoso a palavra final sobre o processo avaliativo de cada professor. Até a transferência da instância de recurso para o CG, por substituição do DRE, tem como consequência esse reforço de poderes do director, na medida em que são muito raros os professores que integram o conselho que lá chegaram sem o apoio e o beneplácito do director que, em seguida, ajudaram a “eleger/nomear”.

Continuar a criticar a isenção de avaliação e esquecer que este modelo mantém a estrutura de controlo hierárquico que coage e constrange a autonomia profissional dos professores é um erro estratégico, um tiro ao lado e um enorme serviço que se faz ao ministro.

E este só não aproveitará para, num “golpe de génio”, calar estes contestatários e acabar com as isenções porque não tem dinheiro nem condições para ter uma bolsa de avaliadores externos com a dimensão necessária para levar a cabo a tarefa completa.

Não esquecendo nunca que a avaliação segundo Crato pouco liga à observação de aulas – aquilo em que o ministro verdadeiramente acredita é na avaliação pelos resultados. O seu verdadeiro modelo só poderia ser aplicado se ele fosse capaz de (e tivesse dinheiro para) introduzir exames a todas as disciplinas.

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