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Os vencedores das eleições de 5 de Junho (não falo agora de partidos políticos e governo que aí vem) andam ufanos.

Ainda ontem, num dos vários canais perto de si, um “comentadeiro” da direita assumida gozava com “os partidos de esquerda” a propósito das diferenças entre liberalismo e neoliberalismo. Um outro companheiro de caminhada, não menos contente e erudito, acrescentava que o liberalismo até defendia “princípios de esquerda”, remetendo para a trilogia da revolução francesa Fraternidade, Igualdade, Liberdade.

Não há dúvida que são uns patuscos, estes “intelectuais” da direita. Acham que com duas patacoadas a malta fica embasbacada e aceita o que dizem como tiradas de sábios.

Por mim fico na dúvida quanto ao que “eles” sabem e pensam sobre o assunto. Será que genuinamente não conseguem distinguir os conceitos? Ou apenas os confundem para melhor confundir a populaça que os vê como “gente instruída” e uns verdadeiros “doutores que andaram à escola”?

É que me custa a acreditar que não saibam que fazem batota ao confundir o liberalismo que foi instrumento da burguesia industrial contra o Estado absoluto, do neoliberalismo da escola de Chicago – Milton Friedman (o ramo totalitário da escola económica de Viena -Friedrich von Hayek).

Este último, que nos últimos 30 anos substituiu o keynesianismo e hoje domina a globalização económica, assenta numa espécie de fetiche em relação às novas fronteiras do velho oeste, em que o homem branco chegava com a nova lei na ponta da pistola

Por isso, quando os seus testas de ferro desembarcam em algum país, o primeiro objectivo é apagar a velha lei, instaurar o “livre arbítrio” a favor dos mandantes e instaurar uma “nova ordem”. Exactamente por isso, os executantes devem ser apóstolos dessa nova ordem, de preferência sem obediência às instituições políticas pré-existentes

 

 

O plano assim concebido tem vindo a resultar, de forma mais consistente em regimes ditatoriais, mas também em regimes formalmente democráticos.

É claro que quando a contestação começa a apertar as “formalidades democráticas” são mandadas às malvas e os “adjuntos” dos apóstolos entram em acção

Enquanto a malta for pacífica e não lhe pisarem demais os calos, por cá ainda continuaremos a manifestar a nossa indignação

Pior será quando a malta acordar, até porque está escrito nas estrelas que:

«Nenhum conflito começa sem que os que decidem iniciá-lo considerem que a causa porque se batem é boa e tem mérito. O próprio desenvolvimento do conflito pressupõe que, aos olhos dos antagonistas, o preço a pagar pela sua manutenção – destruição, sofrimento, mortes violentas – seja menos elevado do que a manutenção da situação preexistente, com o que ela implica de opressão. Uma situação de conflito nasce, muitas vezes, de uma injustiça ou, ainda mais, de um sentimento de injustiça. A ideia de que apenas o recurso à força trará uma mudança decisiva impõe-se pouco a pouco»

 

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