Etiquetas

,

De acordo com alguns comentadores, o governo de Passos Coelho é excelente porque é constituído por gente nova (com garra) e tem uma elevada percentagem de “independentes” (o que garante a “não obediência a interesses espúrios”).

Já para outros comentadores a juventude e a quase inexistência de experiência governativa necessitariam de ministros com “mais peso político” (traduzindo “peso político” por notoriedade mediática em negociatas partidárias).

Do meu ponto de vista a análise à composição do ministério e, sobretudo, ao que se conhece do “pensamento Passista” deve ser feita com recurso a lentes diversas.

Discordo em absoluto da ideia de os “independentes” do XIX governo serem uma espécie de 2ªs escolhas e do facto de os ministros do PSD serem do “núcleo duro” de Passos Coelho porque este não foi capaz de captar os “pesos pesados”, também conhecidos como os barões do partido.

Esta composição corresponde, no essencial, aos objectivos fixados por PPC – ir além do MoU e “surpreender” os mercados.

Para isso encontrou, com a etiqueta de “independente”, quatro personalidades que lhe dão garantia absoluta de perseguir denodadamente a agenda neoliberal de privatização dos serviços públicos essenciais, em respeito completo pela agenda não explícita dos “mercados” representados pela troika estrangeira – FMI/Wall Street, BCE/Bundsbank e UE/Bolsas de Frankfurt, Londres e Paris.

  • Vitor Gonçalves é o pivot com a sua experiência em instâncias como o BCE e a assessoria à Comissão Barroso, tendo como “selo de qualidade” a defesa da austeridade orçamental e a admiração por Milton Friedman;
  • Álvaro Santos Pereira garante a subordinação do salário ao capital e a retirada do Estado dos sectores estratégicos como os transportes, a energia, as telecomunicações e a água, sob o pretexto de conter os custos através do fim da “experiência empresarial” desse mesmo Estado, para a qual não tem vocação, de acordo com o cânone neoliberal;
  • Paulo Macedo, repetindo a performance “moralizadora” à frente dos impostos, é a pessoa certa para acabar com as parcerias público-privado na saúde, transferindo para o privado o que de mais lucrativo existe no SNS e reduzindo os cuidados de saúde ao mínimo que garanta a existência de um efectivo de mão de obra para que as empresas não fechem. Terá como “problema maior” a arbitragem entre os interesses dos grupos BCP e BES na divisão desse bolo, mas a margem é suficientemente grande para que a coisa não seja dramática;
  • Quanto a Nuno Crato, que em post publicado ontem ficou claro ser para mim uma péssima escolha, caber-lhe-á a tarefa de recuperar o espírito educativo do liceu napoleónico. Se for suficientemente diligente será fácil concretizar a anunciada redução de 800 milhões de euros, bastando para isso voltar às taxas de frequência da escola de Março de 1974. Com essa redução de alunos, que se conseguirá porque os pais concluirão em tempo que “os gaiatos não dão para a escola”, a redução dos efectivos docentes garantirá a necessária redução do orçamento do ME, tão desejada pela(s) troika(s) e tão do agrado do novo ministro das finanças.
Anúncios