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A escassas horas do início de uma semana que vai ser dedicada à realização de centenas de plenários nas escolas, para debater com os professores as iniciativas de luta a desenvolver até final do ano lectivo, resolvi dar uma vista de olhos pelo que diz a blogosfera docente e em particular o que está publicado pelos “movimentos independentes”.

Como professor interessado no tema, e agora na posição de membro de uma lista que concorre ao maior sindicato de professores do país, pareceu-me aconselhável saber o que pensam os colegas que na rede “têm mantido acesa a chamada contestação”.

Sem querer ter uma postura demasiado crítica e muito menos “bota-abaixista”, posso dizer que fiquei com a ideia de que continua a haver vários tipos de professores:

  • muitos militantes blogosféricos “independentes”, inequivocamente identificáveis com os movimentos mediáticos – Apede, MUP, ProMova – acham que os professores devem continuar a resistir, mas querem a vitória para ontem, porque “a malta tá cansada de lutar“. Acham-se legítimos representantes de uma “maioria silenciosa”, que não se revê nos sindicatos (porque não se associa a essas organizações), e nesse sentido consideram que as propostas aprovadas num “encontro nacional” em que estiveram duas centenas de professores (sem mandato de ninguém) são mais legítimas e importantes do que as propostas de organizações sindicais que representam uns quantos milhares de associados;
  • os “amigos do umbigo” mais o autor do dito, que acham que “a luta continua“, mas não têm qualquer proposta de acção que não passe por cruzar os braços e teclar noite dentro a criticar o ministério, os sindicatos e quem quer que não se reveja nessa “dinâmica de luta“;
  • os independentes do MEP e da CDEP, que aconselham os professores a lutar e até a pensar seriamente numa grandiosa manifestação nacional em Maio (como propõe a FENPROF, de que faz parte a direcção sindical que apoiam na Grande Lisboa), mas que, para ficarem de bem com os outros “movimentos independentes”, aconselham também a que não se pense que a proposta de manifestação nacional a 16 de maio é um assunto encerrado;
  • os que acham que para continuar a luta é preciso dar força às organizações que têm a legitimidade e os instrumentos para mobilizar as dezenas de milhar de professores que apenas se preocupam com “a sua vidinha” e, por isso, têm consciência que uma acção de protesto como uma grande manifestação nas vésperas da campanha para as eleições terá efeitos devastadores para Pinto de Sousa e Ciª.

Se a posição dos “movimentos independentes” e dos “umbiguistas” revela uma completa falta de sentido político e da necessidade de combater com eficácia os inimigos dos professores, a posição do MEP e do CDEP revela algum inconsequência de pessoas que levantam a bandeira da escola pública, mas acabam por andar de mãos dadas com quem mais contribuiu para que as políticas anti-sindicais de MLR/JP/VL tivessem destruído a escola pública de qualidade para todos.

É por isso que, na semana que agora começa, os professores devem participar nos plenários sindicais, mas para reforçar propostas de luta inteligentes, exequíveis e que causem danos efectivos à política e aos projectos do governo PS, sem nos prejudicar e mantendo a unidade entre todos.

Não podemos fazer o jogo do ministério aprofundando divisões que se evidenciaram durante esta luta prolongada. Temos que ser capazes de ultrapassar divergências e até algumas mágoas em relação a colegas que não tiveram a coragem de resistir, e nalgum momento acabaram por fraquejar. É fundamental trazer todos de novo à luta e reconstruir um muro solidário a favor dos professores, apresentando propostas que permitam que mesmo os mais timoratos, ou com maiores problemas de índole financeira, participem na luta e não se sintam marginalizados.

A manifestação de 16 de Maio:

  • permite recuperar para a luta muitos colegas que entregaram os OI’s contrariados e com medo;
  • não tem custos excessivamente elevados, pelo que não afasta da luta os colegas que têm mais dificuldades económicas;
  • terá impacto mediático, com possibilidade de recuperar a temática da escola pública nos órgãos de comunicação social, em véspera de eleições;
  • desde que bastante participada, fará danos irreparáveis para a campanha eleitoral do PS.

Pelo contrário, uma greve, sobretudo se envolver mais do que um dia:

  • terá uma participação muito menor, devido aos custos individuais associados;
  • afastará muitos colegas, quer por questões económicas, quer por se realizar numa fase crítica do ano escolar, interferindo de forma decisiva na vida dos alunos;
  • permitirá manipulação de números, que a propaganda ministerial se encarregará de reverter a favor da campanha do PS;
  • irá alienar algum do apoio que os professores ainda têm junto da opinião pública e publicada;
  • aliviará os cofres do ministério das finanças.
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