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Esta é a “estória” triste de Jacinto Homem Honesto, que se comporta como Eremita mas quer ter os benefícios da vida em sociedade

Não me chegou por email, mas dei de caras com a “estória” num blogue de milhões.

Alguém, a coberto da “apologia da independência”, resolveu fazer de forma anónima a promoção do abstencionismo cívico.

Esse anónimo resolveu falar-nos de um pastor serrano, que na sua imensa e secular sabedoria popular nos vem dizer:

·  que os sindicatos não lhe serviam porque dava muito trabalho preencher papéis;

·  que o preço do leite baixava e o do queijo subia por culpa dos sindicatos;

·  e que por isso, e porque quer a extrema unção quando estiver à beira da morte, não pode ser comunista.

Mas não se fica por aqui o nosso Jacinto Honesto, diferente dos outros Jacintos que não serão honestos por acreditarem nos sindicatos, no comunismo, ou em qualquer outra corrente política. O nosso homem continua dizendo:

·  que é um pobre honesto que sonha em ser rico… mas exclusivamente à custa do seu suor, porque os outros ricos são uns malandros que vivem à custa dos pobres;

·  e que, com essa pobreza honesta, não se quer misturar com os mentirosos nem com as víboras.

De uma penada, e em menos de uma folha A4,o nosso pastor serrano diz-nos que, para sermos honestos e merecedores de confiança, devemos pensar na nossa vidinha, pequenininha, sem nos misturarmos com a ignomínia do mundo. Depois, confiando na providência divina (mas apenas quando isso der jeito), podemos ficar à espera que o mundo nos dê as benesses que deveriam estar reservadas às pessoas honestas, mesmo quando apenas são honestas, e não estão dispostas a meter a mão na massa em defesa de ideais colectivos.

O que este pastor honesto não nos diz é que foi graças a muitos “Jacintos Honestos” que tivemos um Salazar, mais um Caetano, durante 4 décadas. E que há 4 anos que temos um candidato a emular tão ilustres personagens.

Por mim dispenso tanto o discurso, como a companhia, de tanta honestidade junta.

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