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No passado sábado realizou-se um encontro de professores que representam cinco movimentos independentes.

Como não estive lá apenas sei do que se passou através da leitura dos jornais e de alguns blogues (dos próprios movimentos ou de professores que acompanham mais de perto essas iniciativas).

Embora afastado “destas lutas”, uma vez que sou professor e as iniciativas dos movimentos têm grande cobertura mediática sinto-me no direito de analisar e comentar as notícias que vão sendo divulgadas.

Do encontro de Leiria há um conjunto de aspectos cujos ecos merecem particular atenção. São problemas de diversa ordem e aparentemente sem ligação directa, para além do facto de se reportarem a uma iniciativa que envolveu os cinco movimentos.

Em primeiro lugar quero destacar o facto de a mobilização de professores já ter conhecido melhores dias. Pouco interessa se eram 100, 150 ou 200. Interessa saber que os que lá estavam conseguem manter um espírito de militância que os leva a fazer quilómetros, gastar tempo e dinheiro e abdicar do descanso, em nome de algo em que acreditam. Pena que haja cada vez menos a acreditar.

Outro aspecto que quero relevar é uma aparente (pelo menos pública) divisão entre alguns dos mais aguerridos dirigentes de movimentos e o autor do mais importante blogue de professores, que tem sido o catalizador das lutas blogosféricas e quase que um semi-deus dos movimentos independentes. Assumindo a coerência que enunciou no primeiro dia em que o conheci, o Paulo Guinote continua a manter-se independente dos movimentos independentes de professores, não foi a Leiria, comentou o encontro e tudo isso causou visível incómodo aos independentes.

Curiosamente acusam o Paulo de ter tido pouco cuidado na leitura dos mídia, que agora são uma espécie de vampiros em procura de sangue folclórico. Quando há um ano foram alertados para o facto de que a cobertura mediática que estava (e continua) a ser dada aos movimentos respondia a uma agenda anti-sindical e sobretudo anti-Fenprof/Mário Nogueira, os mesmos dirigentes achavam que não era verdade e tudo se resumia a uma correcta cobertura da realidade das escolas.

Mas deixando de lado estes verdadeiros folclores, que pouco adiantam para a luta que os professores têm que continuar a desenvolver, resta olhar para as “decisões/resoluções” que aqueles 200 professores tomaram, em seu nome pessoal, uma vez que não se sabe se representam de facto mais alguém que não tenha estado lá presente.

A lista das resoluções pode ser consultada nos blogues do MEP, da Apede,  do Mup, do Ramiro e não sei em quantos mais.

Ao lê-las sinto-me bastante reconfortado, uma vez que a primeira conclusão a que se chega é de que os cinco movimentos descobriram de forma clara e inequívoca que a luta dos professores só se faz com os sindicatos. É a conclusão lógica que se tira da leitura dos pontos em que os movimentos solicitam aos sindicatos que auscultem os professores nas escolas e que convoquem uma grande manifestação nacional para o mês de Maio.

Só que estas solicitações são redundantes, ou revelam uma distração total dos dirigentes dos movimentos em relação à agenda da plataforma sindical. É que já foi anunciada uma consulta a promover pelos sindicatos da Fenprof, com vista a auscultar a vontade de todos os professores em relação às diferentes iniciativas de luta, estando todas as possibilidades em cima da mesa.

Quanto à ideia de os movimentos promoverem uma manifestação nacional, que deverá ser convocada pelos sindicatos, parece-me também uma ideia original e divertida.

Em jeito de desafio, depois desta verdadeira profissão de fé que os membros dos movimentos fizeram na capacidade de liderança da luta por parte dos sindicatos, sugiro a todos os presentes no encontro de Leiria que se sindicalizem ou ressindicalizem e passem a participar com o mesmo entusiasmo na vida sindical. Dessa forma dariam um contributo inestimável para a melhoria do funcionamento dos sindicatos de professores.

Apenas deixo um alerta, em particular aos que já assumiram o uso do famoso crachat “anti-sócrates”. Não se sindicalizem em nenhuma estrutura afecta à UGT, uma vez que ainda hoje o João Proença apelou a uma nova maioria absoluta para o PS. Nessa medida o melhor que têm a fazer é aderir aos sindicatos da Fenprof/CGTP, pois aí sabem perfeitamente que nunca o Mário Nogueira vos pedirá para votar neste governo.

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