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Conforme se pode ler aqui, ali, mas também acolá, o sr dr. Fatal parece ter ficado muito incomodado com o facto de algumas pessoas terem transcrito as “suas” 96 condutas. A questão terá a ver com os presumíveis direitos de autor associados à construção de um instrumento de avaliação fatalmente infalível, nas palavras do dr. Fatal.

As respostas que cada bloguer deu às missivas do dr. Fatal foram diversas, havendo quem tenha mantido os textos integralmente disponíveis e quem tenha decidido auto censurar-se. Cada um sabe de si e Deus saberá de todos, pelo menos para quem n’Ele acreditar.

Mas o problema não tem a ver com censura ou auto censura. A questão fundamental, do meu ponto de vista, está associada à própria conduta do dr. Fatal e aos princípios éticos e deontológicos que a enformam e que são um reflexo de um Portugal espertinho, desenrascado e onde tudo vale em nome de uma tecnocracia de fachada apolítica, mas que na verdade se sustenta em políticas ultraliberais.

Num país que de repente descobriu os méritos da “medição”, do “rigor” e da “eficácia”, ao mesmo tempo em que o pensamento e o debate político foram sendo convenientemente afastados para um canto escondido, torna-se fatal como o destino que surjam personalidades que aproveitam a conjuntura para engrossar as respectivas contas bancárias.

Daí não viria mal ao mundo se, e desde que, tudo se resumisse ao trabalho sério, rigoroso e sustentado em conhecimento sólido da área em que este se desenvolve.

Só que o dr. Fatal não se insurge contra quem critica a não sustentabilidade científica e pedagógica do seu método. O que o preocupa é que alguém lhe “copie o instrumento” e com isso venha a constituir-se num potencial concorrente para o mesmo mercado.

Fique descansado dr. Fatal, pois nenhum professor que se orgulhe da sua profissão cometeria o disparate de apresentar as suas condutas como critérios para uma avaliação de professores que se queira minimamente credível, rigorosa e eticamente aceitável.