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Quem passou aqui pelo blogue já terá reparado que fiquei muito satisfeito com os resultados eleitorais de domingo. Mas não fiquei eufórico e não considero que haja motivos para festejos demasiado efusivos.

Digamos que o sentimento é bastante semelhante ao do dia 9 de Março de 2008, o dia seguinte à maravilhosa manifestação dos 100.000 – é bom ganhar, dá-nos ânimo e coragem, mas nada de substancial mudou. O governo é o mesmo, o primeiro ministro continua arrogante e determinado na aplicação das políticas impostas pelas agências transnacionais e os outros dois partidos mais à direita acabaram por reforçar as suas posições.

De resto, a leitura de um post do Correntes e de vários comentários subsequentes é bastante elucidativa sobre o assunto. A posição do comentador Rui (que não conheço) parece-me ser de uma lucidez irrefutável.

Claro que percebo bem a satisfação de quantos vêem, finalmente materializada, uma vitória sobre a pesporrência, a arrogância e a profunda ignorância que campeiam no governo socratino, em particular no campo da educação. Por isso também partilho da alegria do Paulo Prudêncio e de todos os colegas que ontem chegaram às suas escolas com um sorriso de satisfação nos lábios.

Mas como bem alerta o Rui, «Toda a Europa conservadora se celebra». E para evitar que a nível interno essa celebração da direita europeia tenha tradução numa vitória em Outubro, o trabalho de reforço da esquerda – CDU, BE, eleitores do PS que não se revêm nas políticas anti-sociais de Pinto de Sousa e cidadãos sem partido (mas com convicções de esquerda) – tem que continuar em direcção a um crescimento sustentado.

É preciso evitar que a direita e o partido de Sócrates convençam os abstencionistas a dar-lhes o voto em Outubro, como forma de compensar os ganhos obtidos agora pelos dois partidos de esquerda.

Mas, sobretudo, é preciso convencer os abstencionistas que cada voto na esquerda é um voto a favor das pessoas:

  • Porque é um voto a favor do trabalho contra a precariedade;
  • Porque é um voto a favor da escola para todos e contra a descriminação em função do poder económico;
  • Porque é um voto a favor da solidariedade e contra a exploração;
  • Porque é um voto em defesa dos serviços públicos de qualidade e contra a privatização da saúde, do ensino e da segurança social;
  • Porque é um voto a favor da liberdade de expressão e contra o controlo da informação por parte dos poderosos;
  • Porque é um voto a favor de mais e melhor justiça e contra os abusos do poder das cliques económicas e das sociedades “discretas” que comandam os governos do centrão.
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