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Nos últimos dias a ideia voltou a ganhar força entre grande parte dos blogues e movimentos de professores:

Para além de uma grande acção de mobilização dos professores contra o ME, que se poderá traduzir numa manifestação, mas também noutras formas de luta como greves, deveria ser “exigido” aos partidos uma espécie de “compromisso educativo”.

Do resultado da consulta realizada pela plataforma sindical, através de mais de mil reuniões e plenários nas escolas, resultaram duas ideias: a) a mobilização e o interesse dos professores fazerem ouvir a sua voz junto dos sindicatos foi muito reduzida; b) os professores que quiseram participar e dar a sua opinião mostraram-se claramente favoráveis à realização de uma grande manifestação e apenas em número residual votaram por qualquer tipo de greve ;

Já sei que esta minha última afirmação será contestada pelos irredutíveis gauleses de Sintra e arredores, mas há mais país para além desse agrupamento, que nem sequer se viu acompanhado pelos aliados de Caneças e da Póvoa de Stº Adrião.

Mas regressando ao “pacto educativo com os partidos” podemos verificar que os contactos já se iniciaram. Nos blogues da Apede e do Mup podemos consultar uma espécie de nota de imprensa em que se evidenciam as reivindicações dos movimentos “independentes” de professores, mas sem que se fique a conhecer a posição do partido contactado – neste caso o PSD.

O texto até soa bem: 

Este encontro teve como objectivo sensibilizar o Grupo Parlamentar e a própria Direcção do PSD para as seguintes preocupações dos professores:

  • A necessidade de que os partidos da oposição assumam publicamente, de forma clara, um compromisso de ruptura com as políticas que a actual maioria PS tem querido impor à classe docente e às escolas deste país, compromisso que, indo ao encontro das principais reivindicações dos professores, tenha expressão nos programas eleitorais.

  • A concretização do pedido de fiscalização da constitucionalidade dos diplomas relativos ao modelo de avaliação do desempenho.
Se em relação ao segundo ponto a questão é pacífica, tendo já sido anunciada a iniciativa por parte de alguns partidos com assento parlamentar, já quanto ao primeiro ponto, usando um aforismo popular, podemos dizer que «aqui é que a porca torce o rabo».
Exigir aos “partidos da Europa” (como gostam de se chamar o PS, o PSD e em larga medida o CDS) que assumam “publicamente e de forma clara” uma ruptura com as políticas neo-liberais, induzidas pelas instâncias de regulação internacional, em particular com as orientações da OCDE e da UE relativamente à privatização dos serviços públicos com potencial de rentabilidade, além das “sugestões” de instâncias informais como a “Mesa Redonda dos Industriais Europeus“, é tão sem sentido como acreditar na existência do Pai Natal.
Pior do que isso será acreditar que, mesmo que essa espécie de pacto viesse a ser assinada por qualquer destes três partidos, um governo PS ou PSD, apoiado ou não pelo CDS, fará mudanças substânciais nos diplomas de MLR e TS.
É por isso os apelos constantes do Ramiro, ou de outros colegas que ele militantemente reproduz no seu blogue, de votar apenas contra o PS, são pouco consistentes e pouco claros.
Enquanto professor e cidadão, preocupado com a defesa de uma Escola Pública de Qualidade para Tod@s, não posso deixar de dizer que a minha luta é contra as políticas e contra os partidos que as põem em prática. No caso da destruição dos serviços públicos (Saúde, Segurança Social e Educação), que paulatinamente vêm sendo divididos, conforme a sua rentabilidade, em serviços privatizáveis de qualidade para ricos e serviços mínimos para pobres, a opção de qualquer cidadão responsável só pode ser votar à esquerda, sendo que o PS de Pinto de Sousa não é um partido de esquerda em parte nenhuma do planeta. 


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