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Concordando em parte com a leitura que o Paulo Guinote faz do artigo de José Carlos Vasconcelos, parece-me que a análise que ambos fazem da situação do PS de Pinto de Sousa peca por se situar claramente à direita do modernaço maior da nossa política.

Pode a esquerda entender-se?

Se por um lado o Paulo Guinote já fez as malas ao “moço de Vilar de Maçada”, prevendo-lhe o destino fatal a que têm direito as figuras menores da História, José Carlos Vasconcelos propõe que os modernaços façam uma espécie de “upgrade socialista”, seguindo as pisadas de Lula. O destino acaba por ser o mesmo: procurar a sobrevivência das receitas “miltonfriedmanianas” à custa das classes populares e da classe média baixa. Sempre na expectativa de que o elevador social ainda funcione para alguns, guindando-os ao patamar dos novos ricos e modernaços.

O verdadeiro problema que nenhum deles enuncia é que cada vez mais gente se vai convencendo de que não estamos condenados a ser governados por capatazes do Banco Mundial, do FMI ou de Bruxelas. A sociedade está a mexer, lentamente mas de forma inexorável. O carácter inorgânico da maior parte dos movimentos que contestam as políticas neoliberais, como foi o caso dos empresários/motoristas proletarizados que terminou esta madrugada, é disso a melhor prova.

Por isso acredito que mais cedo do que tarde, nem Pinto de Sousa nem Lula… a “via” será outra, eventualmente muito mais dura e violenta.