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Se resolvi trazer a esta reflexão a frase de Abraham Lincoln é porque a generalidade dos comentadores e “jornalistas”, que por estes dias nos entram pelas capas de jornais, pelas ondas da rádio e pelos écrans de televisão, são defensores e tributários da democracia e do “american way of life”.

Embora essa seja uma definição que me satisfaz, não é possível escamotear que na sociedade em que vivemos existem classes com interesses antagónicos e, nessa medida, o tipo de democracia que temos corresponde ao modelo que mais satisfaz e melhor serve os interesses da classe dominante.

No quadro dos países que genericamente são conhecidos como o “mundo ocidental”, dominados pelo capital transnacional, a democracia tem uma carácter burguês, que hipervaloriza a vertente representativa através das eleições para o parlamento e para a escolha do chefe de estado.

Em Portugal tivemos há duas semanas eleições para escolher os 230 deputados que nos representam, de acordo com os códigos da democracia burguesa. Recorrendo à definição proposta por Lincoln, parece claro que o governo depende dos apoios que conseguir concitar no parlamento, uma vez que os deputados eleitos “pelo povo” são “povo” e devem trabalhar “para o povo”.

E, neste momento, o que sabemos é que a coligação PàF (que praticamente toda a gente diz que ganhou, como se tivéssemos assistido a uma corrida desportiva) não consegue concitar o apoio necessário junto dos deputados eleitos, de modo a:

  • ver passar o seu programa, o que implica que não pode iniciar funções nem apresentar um OGE;
  •  ter o apoio suficiente para não ver chumbado o seu OGE 2016, mesmo na hipótese remota de o PS deixar passar o seu programa.

Nestas condições, pergunto: a coligação PàF ganhou o quê?

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