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Anda para aí uma agitação nas hostes dos viúvos da fonte luminosa, que antes de lá terem estado em 75 (mesmo os que não puseram lá os pés, fosse por falta de coragem, fosse por ainda andarem de cueiros), eram os viúvos de Caetano e de Salazar, ou no mínimo acreditavam, piamente, que o “respeitinho” é muito bonito e garante a côdea nossa de cada dia…

Tudo porque a tradição já não é o que era e o PS, fazendo valer os seus “pergaminhos” e a “casaca de esquerda” que só costuma usar em período pré-eleitoral, resolveu ouvir o PCP, o PEV e o BE, admitindo a possibilidade de não passar um cheque em branco à direita, ao contrário do que aconteceu em toda a história constitucional depois do 25 de Abril.

Custe o que custar e doa a quem doer, o que hoje sabemos é que:

  1. As eleições legislativas servem para eleger deputados à AR (230) e são esses deputados que aprovam os OGE e as leis do país;
  2. A coligação que suportava o governo e que no dia 4 de Outubro ficou em primeiro lugar tem 38% e 2.070.049 votos;
  3. Se essa coligação for indigitada pelo PR para formar governo, BE, PCP e PEV votarão favoravelmente as moções de rejeição a esse governo que forem apresentadas e só uma eventual abstenção do PS impedirá que o governo caia logo nessa altura;
  4. Estes partidos e o PS declararam que não aprovarão um futuro OGE de um governo da PàF, o que levará à sua queda, caso não tenha caído na apreciação do seu programa;
  5. Tanto no caso 3, como no caso 4, não se percebe que haja um mínimo de estabilidade governativa com um governo Passos/Portas;
  6. O PS, o BE, o PCP e o PEV juntos tiveram 51% e 2.736.845 votos;
  7. Um governo de esquerda, ou um governo do PS apoiado pelos partidos à sua esquerda não é ilegal nem ilegítimo, e terá o suporte de mais 700.000 eleitores do que um governo da coligação pré-eleitoral;
  8. A alegada instabilidade de tal governo baseia-se na tradição de desentendimento político que tem havido entre o PS e os partidos à sua esquerda, mas a oposição parlamentar a esse governo (PSD e CDS) não tem capacidade para impedir a aprovação do seu programa, nem dos seus orçamentos, nem das leis que os três partidos apresentem na sequência dos acordos que estabelecerem;

No fundo, o que verdadeiramente preocupa a direita e todos quantos vivem à sombra do seu chapéu, é que pode ficar sem o “relógio eleitoral” que lhe permitiria gerir o tempo para fazer cair o seu governo, provocar eleições e tentar a maioria absoluta que falhou desta vez.

António Costa e a direcção do PS têm um encontro com a história: podem liderar um governo que inicie a recuperação do país e dos direitos dos trabalhadores, impedindo que o governo mais retrógrado e reaccionário desde o 25 de Abril continue e infernizar-nos a vida. Do mesmo passo terão ainda o ganho de impedir que Passos & Portas manobrem a governação com vista à conquista de uma maioria absoluta dentro de um ou dois anos. O que também não é coisa pouca.