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Felizmente, um compromisso assumido anteriormente impediu-me de assistir ao disparate que terá sido a comunicação presidencial de ontem à noite.

No entanto, durante a reunião de trabalho em que participava, chegou-me às mãos um texto de uma agência noticiosa, com o resumo das declarações de Cavaco Silva.

Numa primeira leitura fiquei indignado (ainda mais do que já era possível imaginar), ao perceber que o presidente se arrogava o direito de condicionar os resultados de uma futuras eleições antecipadas (para as calendas), já que exige que os partidos do centrão se ponham de acordo com um futuro governo saído dessas longínquas eleições (seja qual for o resultado que se verifique nas urnas).

Mas mais tarde, ao voltar para casa e ouvindo as notícias e comentários da rádio, dei por mim a pensar que o homem alucinou de vez, está irremediavelmente atacado pelo “alemão”, ou então deu em fumar cigarros para rir. É que a decisão que tomou constitui uma impossibilidade absoluta, como passo a explicar:

  • o presidente considera que o governo actual está em plenas funções;
  • o governo actual não tem ministro dos negócios estrangeiros, que se demitiu irrevogavelmente desse cargo específico;
  • o governo atual também não tem ministro da economia, nem 1º ministro, já que este último escolheu para o cargo da economia uma personalidade que não é o Álvaro, ao mesmo tempo que reconheceu que o seu actual governo tinha que ser remodelado, porque a aliança partidária que o sustentava não aceitava a manutenção do Álvaro nem a continuidade da política austeritária das finanças.

Confuso?!?! Não, apenas anedótico, não se tratasse da vida de um povo e de um país secular. E com a agravante de a nossa constituição não possuir nenhum mecanismo de remoção de um presidente que, manifestamente, vive numa realidade virtual alucinada.

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