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Estive hoje num encontro de Escolas TEIP, integrado no projeto MICRO REDES TEIP | PRÁTICAS DE EXCELÊNCIA.

A oradora especialista de serviço foi a conhecidíssima (dos professores que lutaram contra a ADD) ex-diretora do Agrupamento de Beiriz, Luísa Moreira. Até aqui, tudo bem. Só que algumas das peripécias desta tarde passada na Escola Secundária José Gomes Ferreira (do presidente do Conselho de Escolas) são a prova cabal de que quanto mais os professores se baixam, mais o cu se lhes vê.

O A encontro sessão seminário partilha de ideias tinha início marcado para as 14h30 e final programado para as 18h00.

Cheguei à ESJGF por volta das 14h15 e, para grande espanto meu, não me indicaram o pavilhão onde existe o auditório da escola, mas sim o pavilhão dos serviços administrativos, onde existe um espaço híbrido, meio corredor de passagem entre pavilhões, meio anfiteatro em quadrado. Era nesse espaço que se ia realizar a tal sessão e, para que os professores convidados não tivessem que se sentar nos diretamente nos degraus das bancadas, alguém colocou umas proteções de espuma a fazer de almofadas.

Estranhei o facto mas, esperando uma qualquer explicação dos organizadores, fui aguardando que a sala enchesse. Curiosamente, nenhum professor parecia estar verdadeiramente incomodado com as instalações destinadas à sessão, ou pelo menos não o manifestava. Fui então elucidado por outro colega presnete que já ali ocorrera ali uma sessão sobre o Projeto Fénix e ninguém tinha reclamado.

Quando às 14h50 a pessoa que presidia à sessão tomou a palavra para introduzir a especialista de serviço e “coordenadora” dos TEIP’s pedi a palavra e expressei a minha perplexidade e indignação pela forma desrespeitosa como mais de 100 professores estavam a ser tratados pela organização do evento. Embora tenha reparado em muitos olhares de aprovação à minha intervenção, nem uma voz se levantou a mostrar também a sua indignação.

Uma das organizadoras pediu desculpa e avançou com uma desculpa mal amanhada, sobre a dificuldade em encontrar um auditório disponível para albergar entre 150 e 200 pessoas. A dra. Luísa Moreira acrescentou que não se pode criticar a Parque Escolar e agora querer utilizar os seus auditórios sem pagar, e como o espaço da ESJGF era grátis a opção dos organizadores foi fazerem ali o evento.

Arrumada a questão, a especialista usou um PPT para fazer uma dissertação sobre a forma como os professores usam mal os instrumentos de avaliação e não aplicam os princípios da avaliação formativa, de forma a trabalhar para o sucesso escolar dos alunos. Em seguida pediu que os professores presentes apresentassem as experiências das respetivas escolas, mas sempre que alguém fazia a sua intervenção, a especialista sobrepunha-se e comentava, antes mesmo de permitir que se percebesse o que o professor queria dizer.

Com grande estoicismo, e a pedido das colegas da minha escola, não voltei a pedir a palavra e a questionar os disparates que ali forma ditos. No entanto, pouco depois das 16h30 tive que abandonar a sessão pois não me seria possível continuar a assistir passivamente a um discurso de auto-flagelação dos professores e aos dislates de um ou outro diretor que estava presente.

De facto, perante uma classe que abdicou dos seus direitos e que aceita tudo na esperança de passar entre os pingos da chuva, cada dia que passa me custa mais continuar a ser professor.