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Ao que dizem os relatos de quem esteve presente, as manifestações que ontem encheram as ruas de Portugal foram grandiosas, e parecem constituir um passo irreversível na tomada de consciência de centenas de milhar de portugueses quanto à não inevitabilidade de empobrecimento a que nos condenam as políticas da troika nacional, sob a atenta vigilância da troika estrangeira.

A manifestação de Lisboa, em que estive presente, foi certamente a maior desde os tempos da Revolução de Abril. Nela se juntaram muitos e muitos milhares de PESSOAS que, pela primeira vez, se sentiram obrigadas a vir para a rua gritar que: é já tempo de emalar a trouxa e zarpar, com muitos outros milhares que sabem que a luta não é coisa de um momento, de um fogacho, mas sim um processo longo, duro e doloroso, que põe à prova a resiliência e a determinação de todos.

Se fomos 200, 300 ou 500 mil pouco importa. O que será determinante para que os portugueses recuperem o futuro, e Portugal volte a ter um governo do povo e para o povo, vai ser a determinação com que cada um se dispuser a continuar este combate.

A agenda da luta contra o roubo não terminou ontem. Temos que explicar a Pedro Passos Coelho que sabemos que, efetivamente, isto não acaba assim. Amanhã e nos dias que se seguirem, no posto de trabalho daqueles que ainda o têm, nas ruas, nos transportes, no bairro, temos que continuar a dizer que roubar o salário a quem trabalha é inaceitável e, por isso, o que é inevitável é correr com a troika e com este governo.

No próximo dia 29, na semana de 5 a 13 de Outubro e noutras iniciativas que mais se verão, é vital que voltemos a encher as ruas e as praças deste país. E aqui fica um desafio àqueles que estiveram nesta manifestação por ela não ter sido convocada por nenhuma organização sindical – sigam o exemplo dos muitos milhares de sindicalizados e sindicalistas que ajudaram a engrossar o caudal do rio que inundou Lisboa e ajudem também a dar voz a um protesto que é de todos.

É que, como começam a descobrir, todos não somos demais para acabar com o roubo do nosso futuro e cada um de nós tem que contribuir para levar o protesto das ruas até às urnas.