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Há algum tempo atrás circulou em alguns mails uma carta anónima, em que um alegado DACL de uma escola do norte acusava a diretora de cometer várias incorreções na distribuição do serviço docente, obrigando quase metade dos quadros da escola a concorrer.

Segundo o escrito pelo Professor DACL da Escola Secundária Serafim Leite a carta terá, ou teria seguido para diversas instâncias do MEC, bem como para vários blogues. Como é natural, os autores de blogues que reclamam para si o papel fundamental de defesa dos professores, acusando os sindicatos de nada fazerem, trataram de dar a publicidade desejada pelo anónimo.

Até a esse momento tudo corria sobre rodas e, como também é habitual, apareceram logo uns quantos comentadeiros que se atiraram como gato a bofe à diretora da escola, sem cuidarem de saber se as acusações correspondiam a factos ocorridos, ou se havia alguma explicação lógica, assente em fundamentos de gestão pedagógica, que justificasse as opções tomadas.

Como é notório pelos escritos neste blogue, a minha posição de princípio em relação aos diretores de escolas é de crítica ao facto de aceitarem ser mais um elo na cadeia de comando hierárquico do ministério, do que representantes dos professores e da comunidade escolar por oposição ao centralismo governativo. Isso não me impede de conseguir separar os bons dos maus gestores, já que há muito deixei de os considerar professores como todos os que quotidianamente trabalham nas salas de aulas.

Nesta estória, triste porque mais uma vez traz à tona a leviandade e ligeireza como grande parte dos professores olha para a complexidade da escola pública, a diretora resolveu reagir e anunciou: «darei início a procedimento criminal, junto de instâncias próprias».

Não sei contra quem será interposto o procedimento criminal, até porque PG não deu publicidade a todos os emails da alegada polémica em off. O que sei é que o Umbigo e o Adduo deixaram de ter disponíveis os posts com que aceitaram crucificar a diretora.

Também sei que bastaria que os bloguers de referência se tivessem dado ao trabalho de consultar as turmas que irão funcionar na escola em questão, no ano letivo 2012/13 e perceberiam que a insinuação de que terá havido favorecimento de um grupo de recrutamento: «Contrariando a tendência em todas as escolas, não existiram DACL no grupo de recrutamento de educação tecnológica! Este grupo é composto por quatro docentes para um total de 10 turmas do ensino básico. Não sendo deste grupo, fiquei contente pelos colegas, estranhando todavia este facto… Talvez importe referir que é o grupo de recrutamento da Diretora…» carece de fundamento por haver muito mais serviço a distribuir nesse grupo para além das 10 turmas referidas. Efetivamente são 12 e não 10 as turmas do básico e além destas existem diversas turmas das áreas tecnológicas e técnico-profissionais, que podem justificar a atribuição de serviço letivo aos 4 docentes.

É por estas e por outras que as alfinetadas de Paulo Guinote aos sindicatos não passam disso mesmo – alfinetadas. E fundam-se em muita ignorância, egomania e presunção:

#8,
Quando não há qualquer denúncia por parte dos representantes que deviam estar atentos… é realmente um problema.
Quando os representantes (não haverá lá nenhum lutador dos “bons”?) não faz qualquer trabalho de base é caso para nos interrogarmos…
Ou não?

A culpa é de quem denuncia?
Sempre faz mais do que os que calam e só querem “runiões” para declarar vitórias pírricas.