Etiquetas

,

Com data de 15 de junho, o MEC resolveu dar o exemplo e apresentou aos portugueses o seu relatório de auto-avaliação, a que pomposamente decidiu chamar “Monitor”.

São – 17 páginas 17 – de pura propaganda, dando uma linha de orientação clara sobre como produzir um relatório auto-avaliativo elogioso e sem direito a contraditório. Trata-se de um documento a que os contratados, que em setembro dificilmente terão horário e trabalho nas escolas públicas, deviam ir buscar inspiração para a realização do seu próprio relatório de auto-avaliação de mais um ano de trabalho precário e mal pago.

Ao longo das 17 páginas o documento espraia-se por temas, que vão desde a “motivação e desenvolvimento do recursos humanos da educação” até  à “ciência”, sempre num registo em que se mistura algum voluntarismo irrealista com uma forma algo peculiar de explicar aos portugueses porque é que a versão de Nuno Crato, sobre o rigor e a qualidade da escola pública, é que é a única com validade.

Um exemplo claro do irrealismo e fantasia, em que o ministro continua a produzir a sua narrativa sobre a escola pública portuguesa, é o que se pode encontrar na página 3 do documento sobre a “seleção inicial de professores que permita integrar no sistema os mais bem preparados e vocacionados designadamente através da realização de uma prova de avaliação de conhecimentos de acesso à profissão”.

Nem vale a pena cuidar sobre a pertinência de tal prova de acesso, ou sobre a qualidade do diploma que a vai regulamentar, ou ainda sobre o cumprimento dos prazos que são sugeridos. É que basta estar na escola e conhecer a monstruosidade que o MEC vem impondo através das “agregações”, concretizadas com a conivência militante de muitos autarcas e não menos diretores, ou estar envolvido na preparação e organização do próximo ano letivo, com as novas matrizes curriculares, o aumento de alunos por turma e diminuição de turmas e horários letivos, para além de mais umas quantas malfeitorias decididas em nome da empresarialização das escolas, para saber que não haverá necessidade de qualquer prova de avaliação de conhecimentos de acesso à profissão nos anos mais próximos.

De resto, mal se percebe que os defensores da “Ordem” ainda não tenham vindo a terreiro propor-se para organizar essa “prova”, ou reclamar contra a usurpação de um função que seria sua se a “Ordem” existisse.

Com a política de redução absurda do número de professores, e com a dificuldade acrescida que o governo coloca para a aposentação dos docentes mais velhos, não se vê a quem se destinará a prova de acesso, nem para o ano, nem nos anos mais próximos. Apenas mais um “exame” para massajar o ego do ministro e contentar os fanáticos da “accountability”.

Anúncios