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Ao longo dos últimos trinta anos, embalados pelo canto de sereia da propaganda capitalista, muitos trabalhadores acreditaram que a luta de classes tinha sido atirada para o caixote do lixo da história.

Entre alguns grupos de trabalhadores, cuja atividade assenta primordialmente no trabalho intelectual, foi-se consolidando a ideia de que o sindicalismo de classe não passava de um sinónimo de sindicalismo operário que, com o definhamento progressivo do tecido industrial no nosso país, tinha os seus dias contados e estaria em extinção a curto prazo.

Dando força a este raciocínio assistimos a um ataque sem precedentes aos direitos de representação sindical que, tendo tido início pela mão de Sócrates, atingiu um novo patamar de proporções gravíssimas com a chegada ao poder de Passos, Portas e mais a troika estrangeira.

A utopia neoliberal de uma sociedade sem Estado (ou com um Estado-residual, cuja única missão será a de garantir a liberdade dos mercados), em que as esferas social, cultural e política devem ficar submetidas à esfera económica, vai fazendo o seu percurso e ganhando foros de ideologia única graças à literatura e ao discurso “managerealista”, que domina na comunicação social, pertença dos grandes grupos económicos.

No campo educativo as dificuldades dos sindicatos de professores acompanham as do restante movimento sindical. Depois de 2005 a 2007 a equipa de Maria de Lurdes Rodrigues ter desrespeitado permanentemente os sindicatos docentes, tendo como alvo privilegiado a FENPROF, atualmente o ministro Nuno Crato continua a ignorar o papel dos representantes sindicais dos professores e mantém total confiança no Conselho de Escolas como órgão representativo do sentir da classe docente que trabalha nos estabelecimentos escolares.

Por outro lado, continua enraizada entre muitos professores a ideia de que a sua condição de intelectuais os coloca numa situação diferente, e de privilégio, em relação aos restantes trabalhadores assalariados. É nessa perceção, profundamente egoísta e desajustada da realidade, que se funda a perspetiva de que os sindicatos de professores pertencem a um “setor de serviços” que não deve misturar-se com a “ferrugem operária” e o “proletariado agrícola”. É contra essa análise distorcida da realidade social que é preciso reconstruir a unidade dos professores, assente no reconhecimento da sua condição de assalariados que se batem em conjunto com os assalariados dos restantes setores, com os desempregados e os aposentados, contra o ataque do capital financeiro.

A alegada “crise”, e a austeridade que banqueiros e governantes nos vêm impondo, mais não é do que o pretexto para a maior transferência de riqueza das mãos de todos os assalariados para os bolsos dos grandes acionistas das empresas financeiras e de distribuição de bens e serviços.

A venda a preço de saldo de empresas e setores estratégicos, de que a recente privatização de 1/5 da EDP é um exemplo claro, constitui um roubo sem precedentes do sangue suor e lágrimas de milhões de portugueses, que quotidianamente vendem o seu trabalho a troco de cada vez menores salários.

A única forma de combater e resistir a este assalto é através da união do trabalho contra o capital. O anúncio do fim da luta de classes foi, sem dúvida, um manifesto exagero. Por isso, e para dar uma resposta consequente, temos necessidade de sindicatos fortes e combativos, que estejam profundamente integrados no seio da classe que representam.

Também nas escolas e em defesa dos direitos dos professores que aí lecionam, mas também dos que ambicionam dar o seu contributo ao ensino e são atirados para a precariedade e o desemprego, precisamos de sindicatos cada vez mais fortes e mais coesos, o que só será possível com a intervenção de todos os professores na lutas que vamos ter que travar.

2012 – um ano de Luta, em defesa dos direitos de quem trabalha

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