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Ao que tudo indica, a proposta que Nuno Crato se obrigou a entregar amanhã aos sindicatos de professores manterá a imposição de quotas para a atribuição das classificações mais altas. Sendo certo que esse é um mecanismo que decorre da transposição dos princípios do SIADAP a toda a função pública, não deixa de ser verdade que é imposto como um instrumento de injustiça para todos quantos tenham desempenhos de grande relevo para a aprendizagem dos alunos e para o bom funcionamento da escola e, mesmo assim, não possam obter o reconhecimento desse trabalho por força de uma decisão que nega todos os critérios com que é feita a avaliação.

Não tendo a intenção de ser exaustivo, a leitura do estudo de Marlene Isoré [1, 2, 3, 4] mostra-nos que apesar da diversidade de concepções e modelos de avaliação de professores existentes nos países da OCDE, Portugal é o único em que se aplica a ideia peregrina de impedir a atribuição das classificações mais elevadas a todos os professores que o mereçam, apenas porque os decisores políticos acham que é obrigatório seguir a curva de Gauss no processo de classificação do desempenho dos docentes de cada escola.

Não sendo este o único aspecto errado nas concepções presentes sobre a ADD, trata-se de um mecanismo que impedirá qualquer consenso alargado entre o ministério e a maioria dos professores. É natural que, nestas circunstâncias, as negociações que começarão amanhã fiquem desde logo perturbadas com a manutenção das quotas, e será difícil que algum sindicato que esteja no processo para defender a justiça e os direitos dos professores aceite a sua imposição por parte do ministro.

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