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Ele há coincidências do caraças. E demagogos populistas que coincidem no discurso e, ainda por cima, no tempo em que o produzem. Claro que há sempre alguém que, com extrema argúcia e grande sentido de oportunidade, não perde a ocasião para amplificar a bordoada nessas organizações que tanto custam ao país e tanto atrapalham quem só quer trabalhar e apresentar serviço.

Quanto às coincidências, vamos aos factos:

  • Pela madrugada (00h30) o JN online publicou uma crónica do bastonário da ordem dos advogados, em que Marinho Pinto se atira às despesas do OGE com os partidos políticos. Sem ter a coragem de dizer que preconiza o fim do financiamento público do sistema democrático, o bastonário utiliza uma retórica demagógica e populista em que demoniza a subvenção que os partidos recebem, de acordo com os resultados eleitorais, porque a sociedade acha melhor e mais democrático sermos governados por cidadãos eleitos do que pelos CEO’s dos grandes grupos económicos ou, mais prosaicamente, por uns quaisquer “patos-bravos” com contas abertas em off-shores.
  • Também pela manhã o enorme vulto do pensamento educativo, e estrénuo defensor da Ordem dos Professores, que dá pelo nome de Rui (sem y) Baptista (com p) publicou um post em que se penaliza por ter deitado para o lixo um artigo “brilhante” da não menos “brilhante e preclara”  Helena Matos. E penaliza-se, o insigne Rui Baptista, porque nesse artigo, agora conspurcado nalguma montureira, se explica quanto custa ao erário público ter um sindicalismo independente do poder governamental e não controlado pelos interesses económicos.
Efectivamente, para estes orfãos da outra senhora, é incompreensível que o legislador ainda não tenha desmantelado por completo essas conquistas comezinhas trazidas pela Revolução de Abril.
É por isso que, enquanto desesperam pela chegada do homem providencial que reponha a autoridade, lamentam cada cêntimo gasto com a liberdade e a defesa dos direitos dos cidadãos em busca da justiça e da igualdade social.