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“Há uma probabilidade cada vez maior de Portugal não ser capaz de se financiar a taxas sustentáveis nos mercados de capitais no segundo semestre de 2013 e durante algum tempo depois disso”, indica o relatório assinado pelo vice-presidente Anthony Thomas [da Moody’s].

Há três meses (5 de Abril) o PCP realizou uma conferência de imprensa em que declarava «Ao contrário do que foi sendo dito, as chamadas medidas de austeridade impostas por PS e PSD em sucessivos PEC’s e no último Orçamento do Estado, longe de conterem o roubo em curso ou de acalmarem os “mercados”, são em si mesmas – designadamente pelo efeito recessivo que produzem – um factor de agravamento das taxas de juro cobradas, e do processo de chantagem e extorsão com que o grande capital está a confrontar o país. Hoje é o défice, amanhã é a recessão: a espiral especulativa nunca parará enquanto o chantageado ceder ao chantagista».

Três meses e uma eleição legislativa depois, numa altura em que economistas e dirigentes políticos do PS e do PSD já admitem publicamente a necessidade de Portugal vir a renegociar a dívida, são as próprias agências de rating que afirmam que a dívida portuguesa não é pagável «sublinhando o risco de o país precisar de um segundo empréstimo externo e de não conseguir cumprir as metas orçamentais do acordo com a troika».

Ainda há apenas dois dias, Carlos Carvalhas foi a voz a clamar no deserto, apesar de rodeado de uma assembleia de crentes no poder salvífico da austeridade e do sacrifício para o trabalho para conseguir aplacar a ira dos deuses mercados.

Reconhecendo que as agências de rating são insaciáveis porque o que preconizam é pôr mais crise em cima da crise, fica cada vez mais claro que isto não vai lá com petições, nem com “new deals”, mesmo quando subscritos por economistas e políticos de esquerda.

Entretanto ficamos a saber que o director da filial da escola de Chicago em Lisboa é um homem de fé e «acredita numa reviravolta nos mercados até ao fim do ano». Quando a ciência económica, com direito a horas de prime-time, está tão bem entregue não temos razões para temer. Estamos bem entregues.