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Já toda a gente sabe que, em campanha, Sócrates e o seu staff são os campeões do Estado Social e os maiores defensores jamais vistos do “modelo social europeu”, que como referenciei aqui é algo que não existe a não ser para enganar o povo.

Claro que também sabemos, pelo menos quem anda menos desatento, que se trata de conversa mole para boi dormir ou, como deixei num post anterior, «prosopopeia flácida para acalentar o bovino».

De facto, considerar que se defende o SNS quando se entrega um novo hospital público (Braga) a um grupo privado que se mostrou notoriamente incompetente e mau gestor de uma outra parceria público-privada (Amadora-Sintra) só pode ser considerado anedota ou propaganda enganosa.

Do mesmo modo, dizer que se investe na educação quando se desviam fundos públicos para empresas privadas de construção, através de uma empresa de capitais públicos que tem uma gestão considerada de duvidosa legalidade pelo tribunal de contas, é também do domínio da desonestidade intelectual e da propaganda política mais rasteira que se pode imaginar.

É que para quem não saiba o Estado de Sócrates investe milhões na Parque Escolar, em cima disso garante-lhe rendas usurárias a serem pagas pelo orçamento das escolas, que eram públicas e passam a pertencer a essa empresa, e ainda lhe confere direitos de participação na gestão dos espaços para efeito de aluguer de instalações e exploração de diversos serviços, como vending, cantinas, auditórios e pavilhões gimno-desportivos.

Apesar de todos estes investimentos nem o objecto social da Parque Escolar, nem a sua missão, engloba a prestação de qualquer serviço público de educação.

É por isso que se pode afirmar, sem receio de desmentido, que quando o PS diz que a requalificação do parque escolar é um investimento na educação isso é uma falsidade enorme. O investimento no parque escolar é um investimento nas empresas de construção e para camuflar a canalização de recursos do Estado para essas empresas privadas o PS engendrou um mecanismo que foi a criação da Parque Escola EP.

Até porque antes da Parque Escolar EP o Estado português sempre construiu e manteve as suas escolas. E se nos últimos anos os serviços regionais do ministério não cumpriram essa missão não foi por falta de dinheiro no OE, mas apenas por falta de vontade política dos sucessivos governos. A prova de que havia e há dinheiro para que o ministério cumprisse essa função está nos montantes transferidos para a Parque Escolar EP.

É por isso que quando o PS acusa a direita de querer privatizar a Escola Pública podemos dizer que sim, é verdade, como também podemos dizer que não só quer privatizar, como a direita já o vem fazendo pela mão dos governos de Sócrates.

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