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… mesmo quando temos um primeiro ministro que tem uma equipa fabulosa de mistificadores, que incentivam a sua conhecida tendência compulsiva para reinventar a realidade.

Quando ontem assisti à rábula sobre a vitória do governo nas negociações com os representantes dos agiotas que esmifram os portugueses, dei por mim a comparar a figurinha de Teixeira dos Santos à da senhora de Passos Coelho no famoso vídeo de Páscoa.

Depois de ontem nos ter embalado com “prosopopéia flácida para acalentar o bovino“, como dizem os nossos irmãos brasileiros, sabemos hoje que um dos preços a pagar pela prestimosa ajuda da troika é vendermos ao desbarato os últimos anéis que eram algumas empresas públicas altamente lucrativas e pertencentes a sectores estratégicos – transportes (ANA, Aeroportos de Portugal, TAP e a CP Carga), energia (Galp, EDP e REN), comunicações (CTT) e Seguros (Caixa Seguros).

A esta venda a privados de empresas que deviam permanecer no sector público pelo seu valor estratégico, mas também económico, juntam-se mais algumas medidas de extrema gravidade. Limitando-me apenas ao sector da educação refiro a  redução de custos de 195 milhões de euros no próximo ano (face a um orçamento de 6377 milhões este ano), deverá ser conseguida através da “racionalização da rede escolar com a criação de agrupamentos de escolas, abaixamento das necessidades de pessoal, centralização das compras; e redução e racionalização das transferências para as escolas privadas com acordos de associação”. Trata-se de uma notícia que contraria a afirmação de que não haverá despedimentos, uma vez que se fala claramente em redução de pessoal e isso significa diminuir postos de trabalho.

Do outro lado do acordo fica a parte interessante para os mesmos de sempre com os patrões a passarem a descontar menos para a segurança social e com os banqueiros a poderem começar a festejar o acordo graças aos 12 mil milhões de euros que lhes estão destinados, correspondentes a cerca de 15% do montante do empréstimo que todos nós vamos ter que pagar.

Depois disto, ouvir gente a pensar alto que o injinheiro ainda vai ganhar só me pode provocar um sorriso trocista… aconteça o que acontecer.

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