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Anda no ar, tanto nos países do norte como nas periferias do sul, uma ideia difusa de que melhor seria que países como a Grécia ou Portugal saíssem do Euro (por enquanto ainda não da União Europeia, mas lá chegaremos).

Acontece que os motivos de uns e outros, sendo diferentes, têm uma causa comum: as elites que decidiram a criação e os sucessivos alargamentos da União Europeia nunca explicaram aos povos dos seus países para quê e a quem servia essa nova entidade. A União Europeia foi-nos apresentada como uma união económica, monetária e política, mas nunca passou de um mecanismo de abolição de fronteiras para o capital financeiro e o livre escoamento dos bens produzidos pelos países mais desenvolvidos.

A história, pelo menos no caso português, conta-se em poucas linhas. As elites políticas e económicas, que tinham sido apanhadas de surpresa pelo rumo da revolução de Abril, decidiram que a CEE era o seu passaporte para se livrarem da populaça que tinha tido o sonho de um país democrático, livre e mais igual.

Mário Soares, um hábil mistificador da política que durante o verão de 1975 tinha solicitado os bons serviços dos seus amigos americanos para meter a esquerda na ordem, accionou em seguida os seus contactos com os amigos franceses para começar a preparar a adesão à CEE, ao mesmo tempo que os seus amigos alemães o ajudavam a “quebrar a espinha” à Intersindical, com a criação e fortalecimento da UGT.

Após a adesão à comunidade, e com o enfraquecimento do movimento sindical de classe, o passo seguinte passava por criar a ilusão de que a CEE era uma fonte inesgotável de financiamento, mesmo que o país deixasse de produzir fosse o que fosse. Foi assim que, já no consulado de Cavaco Silva e sob a “Real” supervisão  de Mário Soares, se deu início ao desmantelamento do sector das pescas e do que restava do sector industrial, completando-se o esmagamento da produção agrícola através dos subsídios para o abate do olival ou o arranque da vinha, ao mesmo tempo que se impunham cada vez mais apertadas quotas de produção de bens alimentares de primeira necessidade.

Vem desse tempo, e dessas decisões, o mal que hoje nos assola. Para Portugal e para os portugueses a CEE/UE, por intermédio dos seus agentes no governo português, comportou-se como o dealer que quer atrair novos clientes – primeiro deu-nos tudo a fundo perdido, exigindo como única contrapartida que deixássemos de produzir para a nossa subsistência, passando a comprar aos países mais desenvolvidos o que precisamos para comer. E até nos “davam” o dinheiro para nós lá irmos comprar.

Primeiro sem produção agrícola, com um efectivo leiteiro reduzido, sem frota pesqueira, com uma produção industrial que se limita a ser mão de obra barata para multinacionais estrangeiras, tivemos que pedir dinheiro emprestado para comer. Hoje, com os cofres exauridos por termos que importar mais do que conseguimos exportar, temos que pedir não só para comer mas também para pagar o dinheiro que nos foi emprestado adicionado de juros agiotas.

Os países ricos, que hoje reclamam contra os pobres que não se sabem governar, ganham dinheiro à custa da nossa pobreza e cada vez ganham mais. Primeiro ganhavam porque nos vendiam os excedentes da sua produção, ao mesmo tempo que nos impediam de produzir. Agora porque continuam a vender-nos os seus excedentes e a isso somam os juros do dinheiro que nos emprestam para lhes continuarmos a comprar.

Donde se conclui que a riqueza dos países do norte é directamente proporcional à pobreza dos países do sul desta “União“. Falam de barriga cheia os alemães, os finlandeses, os holandeses e todos os outros cuja economia cresceu e cresce à custa do subdesenvolvimento que impõem a portugueses, gregos, irlandeses, espanhóis e italianos, graças à acção de governantes cobardes e corrompidos pela ganância.

É por isso que nós, em Portugal, precisamos de uma Política Patriótica e de Esquerda, que se traduza num princípio simples e claro:

Produzir Mais Para Importar Menos

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