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Embora altamente desprestigiada por muitos professores portugueses, nomeadamente por quem tem mais cobertura mediática, a investigação sobre a escola vem produzindo material qualitativa e quantitativamente relevante sobre a avaliação docente.

Na sua sanha “anti-eduquesa” ignoram que as Ciências da Educação são muito mais do que as didácticas ou as pedagogias, por muito que as adjectivem de “românticas”.

Agora, que finalmente o PSD se juntou aos restantes partidos para repor algum equilíbrio no quotidiano escolar, é tempo de os professores estarem atentos ao debate público em torno de um novo modelo de avaliação. Para que a nossa intervenção ganhe força, e possa ter acolhimento, convém que não se baseie em meras opiniões, no ouvir dizer que, ou nas modas do momento.

Falando agora dos actores a quem atribuir competências estarei contra a ideia peregrina de entregar a avaliação de professores a um qualquer outsorcing, tenha ele uma dimensão mais pública (IGE) ou mais privada (empresa[s] externas).

Num post anterior fiz a distinção entre a avaliação formativa e a classificação profissional, distinguindo também os actores a quem deve ser atribuída a responsabilidade por cada uma das coisas. Mas não me passa pela cabeça que estes actores não façam parte integrante do sistema e não vivam o quotidiano escolar.

Relativamente à classificação profissional, por a considerar intimamente ligada à dimensão organizacional do trabalho do professor, defendo que deve ser da competência da hierarquia – direcção de topo e direcção intermédia. O que implica, desde logo, uma profunda revisão do modelo de administração e gestão da escola pública, regressando às bases democráticas da eleição entre pares.

Relativamente à avaliação formativa, havendo necessidade de conhecer em profundidade a interacção professor-aluno, só pode ser realizada por alguém que também seja professor, tenha formação na área de avaliação e supervisão e conheça o contexto em que se realiza essa interacção. Uma vez que se trata de um trabalho que exige grande rigor e muitas horas de dedicação é difícil ser executado por alguém em regime de acumulação com a sua própria actividade lectiva. No entanto é fundamental que não haja uma quebra total entre o avaliador e as exigências do trabalho quotidiano com alunos. Para alcançar esse desiderato existem várias soluções, entre as quais deixo duas:

  • O avaliador ter uma turma distribuída, sendo o restante horário atribuído às funções de avaliação e supervisão;
  • O avaliador exercer funções em regime de exclusividade durante um máximo de 2/3 anos, tendo obrigatoriamente que regressar à sala de aula por um mínimo de um ano sem funções avaliativas.

 

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