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Ao contrário da narrativa que nos é imposta, cada português maior de 18 anos tem direito a usar o seu voto de acordo com o que pensa e com os seus próprios interesses.

Tendo absoluta consciência de que a luta não se resume (não pode de todo resumir-se) ao voto ritualizado nas eleições para os diferentes órgãos de governo da república, é fundamental perceber que o voto também é uma das armas que os trabalhadores têm no seu combate contra a investida do capital e dos que o representam.

Campo Pequeno - 16/1/2011

Se as sondagens e as primeiras páginas dos jornais fossem os donos dos votos de cada português não seria preciso realizar eleições. Fazia-se um concurso, escolhia-se uma das várias empresas que vendem sondagens de acordo com os resultados desse concurso e entregava-se a governação do país ao(s) candidato(s) por ela indicado(s) como vencedor(es). Além de rápido era muito mais barato.

Acontece que mesmo esta espécie de democracia em que vivemos exige um pouco mais de seriedade e, como tal, é preciso que no próximo domingo haja portugueses que se decidam a ir votar, e outros que cumpram o dever cívico de escrutinar esses votos, para sabermos de há um vencedor à 1ª volta ou se temos que votar numa segunda volta para escolher o presidente para os próximos 5 anos.

E, por muito que as sondagens sejam fiáveis, não sabemos hoje quem serão os dois candidatos a essa 2ª volta (mesmo se a “intuição” de cada um já determinou o futuro).

A comunicação social, financeiramente dependente dos grupos económicos que são “os donos de Portugal”, tem andado a vender-nos a narrativa de que há um candidato de “centro-direita” e cinco candidatos de esquerda que o querem derrotar. No entanto, um alienígena que aterrasse hoje em Portugal e analisasse os discursos e os percursos políticos dos 6 candidatos presidenciais chegaria a uma outra conclusão. Na verdade há um candidato da direita, um candidato da esquerda, três candidatos alegadamente do “centro-esquerda” (insuflados por Sócrates de forma a garantir a vitória rápida do seu candidato) e um “outsider” ultramontano que apenas pretende ganhar notoriedade no seu combate político regional.

Face a este cenário a disputa pode vir a assumir contornos inesperados, como aconteceu há três anos no Chipre.

E se o exemplo se repetisse, muitos dos desgostos e desencantos dos portugueses com a política e os políticos poderiam começar a ser superados. Porque há quem esteja na política para servir o povo a que pertence e não para se servir dos cargos que desempenha em benefício próprio e do seu círculo de amigos.

É por isso que deixo aqui o apelo para que no dia 23 votem na única candidatura que, por ser de esquerda, é patriótica e defende quem vive da força do seu trabalho e não à custa da exploração do trabalho alheio.

Comício de Francisco Lopes - Campo Pequeno - 16/1/2011

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