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… é esta a forma como se pode caracterizar a farsa, real e ao vivo, em que essas entidades “re”criadas por Maria de Lurdes Rodrigues – as escolas – estão a pôr em andamento a ADD, versão IA/AV.

Consegui obter alguns “instrumentos de avaliação”, produzidos em escolas de diferentes pontos do país, e não sei se hei-de rir com os disparates construídos, se hei-de chorar por saber que foram professores que os construíram. Imagino que, se multiplicarmos os exemplos, as cores e os paladares ultrapassarão os limites do razoável, quiçá do concebível.

Desde situações em que os relatores de uma escola garantem que a sua função se esgota na observação de aulas, competindo ao director realizar todos os restantes procedimentos da avaliação, até à elaboração de regulamentos específicos e autónomos, exclusivamente reservados ao processo de avaliação noutras escolas, é possível encontrar de tudo.

Bem podem alguns bem intencionados internautas reclamar contra a inépcia sindical, da mesma forma que bem podem os activistas sindicais fazer os apelos que entenderem, mas o processo parece imparável. Até ao final de 2011 o governo terá, certamente, mais de 100.000 professores com uma classificação atribuída.

Como é evidente, será uma classificação que decorre de uma avaliação “a olhómetro”. Este é o único instrumento que resta aos relatores para realizarem a quadratura do círculo, que é a operacionalização dos descritores publicados em despacho ministerial. Todos os restantes “instrumentos de avaliação”, elaborados pelas CCDA’s (pelo menos os que tenho em meu poder), mais não são do que mistificações elaboradas para enganar papalvos.

O caso mais espectacular, de entre os que me chegaram ao conhecimento, é o de uma CCAD que conseguiu elaborar fichas diferenciadas de “verificação” dos Indicadores de Desempenho. Essas listas de verificação foram construídas a partir do despacho 16034/2010 e contemplam as 4 dimensões, 11 domínios e 39 indicadores aí enunciados. Conseguem até a proeza de desdobrar os 39 indicadores em 101 “itens verificáveis”. A partir desta lista de verificação o relator poderá constatar se os “itens” ocorrem ou não, de uma forma “simples” (consultando as diversas fontes disponíveis – relatório de auto-avaliação; relatórios diversos; actas; planos de recuperação/acompanhamento/desenvolvimento; PAA; relatório do PAA; PCT’s; dossier do professor e observação de aulas, se aplicável; e certificados).

A diferenciação das fichas existe para distinguir quem tem aulas observadas de quem as não tem e os relatores, coordenadores e professores com outras funções específicas.

Lamentavelmente esta CCAD, tão pressurosa no cumprimento da legislação aplicável à ADD (que também não lhe agrada), não foi capaz de incluir na sua produção os descritores que operacionalizam a distinção do mérito dos professores, e que é a pedra de toque do modelo em vigor.

É por isso que depois de verificar, de forma “simples e objectiva”, se os 101 itens em que se desdobram os 39 indicadores de desempenho ocorrem ou não, os relatores terão que apelar ao seu “olho clínico” para distinguir um docente que evidencia elevado conhecimento científico, pedagógico e didáctico inerente à disciplina/área curricular e planifica com rigor, integrando de forma coerente e inovadora propostas de actividades, meios, recursos e tipos de avaliação de aprendizagens, de outro docente que evidencia elevado conhecimento científico, pedagógico e didáctico inerente à disciplina/área curricular e planifica com rigor integrando de forma coerente propostas de actividades, meios, recursos e tipos de avaliação de aprendizagens, mas em que no primeiro caso deve colocar uma cruzinha no quadradinho do Excelente (9 a 10) e no segundo caso considera que deve colocar a cruzinha no quadradinho do Muito Bom (8 a 8,9). Sempre com a maior “objectividade ” e “sentido de justiça”.

Nesta altura só me restará chorar, e ter uma imensa vergonha, porque mesmo assim haverá professores que se prestarão ao serviço de realizar a farsa. Será o caso dos relatores que não forem capazes de se insurgir contra este estado de coisas.