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Como já referi num post anterior, «Estamos agora, mais coisa menos coisa, numa situação muito semelhante à de Janeiro de 2009. Um pouco pior porque o DR 2/2010, e sobretudo os padrões de desempenho docente a que ele deu origem, se sutentam numa ignorância conceptual profunda de quem os concebeu, tornando impossível dar sentido e justiça à utilização dos descritores propostos para cada nível de cada indicador e respectivo domínio, em cada uma das quatro dimensões.»

Ao mesmo tempo continuamos a ouvir as vozes de uma corrente que, entre os professores, olha para o sindicalismo docente como os portugueses olham para o mito de um sebastianismo que tolhe a acção cidadã.

Bem podem os dirigentes, delegados e activistas sindicais sugerir, motivar, solicitar aos professores que se mobilizem contra as políticas educativas que consideramos erradas. Se cada um dos professores não se envolver na luta e na mobilização, uma após outra, todas as medidas deste e de outros governos serão aplicadas, com maior ou menor dificuldade.

Num contexto de grande vantagem política e mediática o ministério de MLR teve que ceder à pressão contra a ADD, porque na grande maioria das escolas ela estava parada e quem a parou foram os professores que lá trabalhavam, sindicalizados neste ou naquele sindicato, com filiação partidária ou sem ela.

Foi através da acção de muitos professores que, em reuniões gerais ou dos órgãos de gestão intermédia, obrigaram as direcções a inundar o ministério com pedidos de esclarecimento e moções contra a avaliação, foi possível paralisar primeiro e simplificar depois o monstro que tinha sido criado pelo ministério, e alimentado e desenvolvido por muitos professores colaboracionistas. O enquadramento dessa acção, e a sua unificação, permitiu fazer recuar as posições governamentais e deu armas para que os representantes dos professores pudessem exigir a suspensão e simplificação da ADD1.

Estamos agora em processo idêntico e, se de facto é esse o desejo dos professores, podemos voltar a parar este processo que tem componentes piores e mais gravosas do que o de 2008. Para isso precisamos de usar estratégia semelhante, exigindo esclarecimentos e obrigando o ministério a perceber que o que existe não é exequível, ainda por cima quando faltam cinco meses para o final de um processo que devia ter-se iniciado há dois anos.

Quem está em melhor posição para encher a engrenagem de grãos de areia são os relatores porque, em minha opinião, são eles que vão validar ou não a farsa que se antevê. Se em algumas escolas o processo já se vem desenvolvendo, na grande maioria está agora a sair do estaleiro, após o período de incubação dos “instrumentos de avaliação” a cargo das CCDA’s. Daí que uma sugestão seja que nas reuniões que se vão realizando entre estas comissões e os relatores, estes comecem a exigir esclarecimentos. Um exemplo de como isso poderá ser feito é um requerimento do tipo que aqui deixo:

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