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O João Paulo Videira, membro da direcção do SPGL na quota dos “sindicalistas do PS” e, por via disso mesmo, membro do secretariado nacional da FENPROF, abandonou as lides sindicais e resolveu dedicar-se a tempo inteiro ao seu governo e ao seu partido.

O facto, tornado público na comunicação social de hoje, e glosado em alguns posts blogosféricos aqui, aqui, aqui e também aqui, era do conhecimento dos professores atentos à vida sindical há já algum tempo. Em devido tempo e no local próprio foram registadas as reacções correctas e necessárias, que me abstenho de comentar, mas que revelam muito das diferenças de carácter entre os membros da direcção do sindicato a que JPV pertencia. É que se houve quem calasse, também houve quem tenha tomado a posição certa e dito as palavras que se impunham.

No entanto, ao olharmos para a decisão tomada pelo cidadão-professor-sindicalista JPV, há algumas questões que me parece importante destacar. Sobretudo porque  integro um colectivo que se vem opondo, no seio do SPGL, ao sindicalismo reformista e alegadamente “responsável” que é o de JPV. O projecto que defendemos é o do sindicalismo de classe, que apenas se compromete com os interesses dos trabalhadores e luta contra as injustiças e a exploração. O projecto reformista, de que JPV é um dos representantes, acha possível conciliar os interesses de quem trabalha com os de quem vive dos lucros produzidos pela exploração desse trabalho.

  • um primeiro ponto para compreender a legalidade da opção tomada, uma vez que num mundo que endeusa o individualismo e  a liberdade individual, o JPV se limitou a melhorar a sua condição económica e posição social, além de subir alguns degraus na hierarquia partidária a que pertence, uma vez que agora passa a ter também o poder para distribuir algumas benesses aos seus “consócios”;
  • o ponto seguinte para por em relevo a necessidade de os sócios do SPGL (o mesmo é válido para todos os outros sindicatos) estarem atentos às propostas eleitorais que lhes são apresentadas e a quem as apresenta, recordando que foram professores que elegeram o JPV numa lista que ganhou, legitimamente, contra quem defende um sindicalismo de classe e se apresentou sob o lema ELEGER UMA DIRECÇÃO DE CONFIANÇA;
  • sendo inteiramente legítimo que os sócios do SPGL não tenham escolhido quem lhes propunha essa direcção de CONFIANÇA, temos agora todos o ónus de redobrar esforços na credibilização de um sindicato indispensável para a vida democrática das escolas e para a defesa dos interesses de uma classe profissional, extremamente mal tratada nos últimos anos pelo partido a que pertence o JPV;
  • até porque comportamentos deste teor, não sendo inéditos, se repetem com demasiada frequência com pessoas que chegam às direcções sindicais através das quotas do PS, como são exemplos recentes o JPV, a ex-DREN Margarida Moreira e o DRELVT José Leitão. Para não mencionar um actual ministro desta república que em tempos teve uma avença como advogado do SPGL;
  • tudo isto deve levar os cidadãos a reflectir sobre o facto incontornável de que existe uma circulação, demasiado promiscua, entre os partidos do “arco do poder”, os seus governantes e os poderes económicos;
  • também nos alerta para o facto de que não se mudam estas práticas pouco éticas, para não dizer mesmo muito vergonhosas, apenas apontando o dedo de fora, denunciando nos jornais ou fazendo posts inflamados nos blogues;
  • tudo isso foi feito a propósito das transferências de ministros do(s) governo(s) para as empresas que antes tutelavam e elas continuam a suceder; também as transferências das margaridas e leitões foram denunciadas e nem assim se eliminou o videirismo;
  • a única forma de mudar este estado de coisas é mesmo metendo as mãos à obra e participando na vida interna de partidos, sindicatos e outras organizações que achemos estarem a desviar-se dos trilhos da cidadania e da democracia; a alternativa a esse empenhamento é a desistência e a entrega do ouro ao(s) bandido(s).

Uma última palavra a propósito da alegada paternidade do JPV na proposta de ADD da FENPROF. É verdade que o JPV trabalhou (e fez algumas aparições públicas divulgando) uma proposta de avaliação alternativa ao modelo do ministério. Mas não é verdade que a proposta apresentada pela federação seja de sua autoria exclusiva. A versão final resultou de um trabalho que teve como base o trabalho de JPV, sobre o qual trabalharam outros membros do secretariado que não se mudaram, nem mudarão,  para o ministério porque têm responsabilidades dirigentes no sindicalismo e não andam à procura de melhorar o seu salário.

Além de que, essa foi uma proposta datada e o que se sabe hoje, sobre avaliação de professores nos países pertencentes à UE, à OCDE e a outros espaços, é muito mais do que se sabia há dois anos atrás.

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