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Recebi o email que transcrevo, omitindo, por motivos óbvios, a identidade d@ colega e a escola em que os factos ocorreram.

Olá amigos e colegas,
envio este mail apenas a amigos e colegas que mais respeito e conto com a vossa discrição. serve este mail para partilhar convosco a situação que se vive na escola onde me encontro a trabalhar (escola secundária ***).

Decidi fazer greve no dia 24 de Novembro e decidi fazê-la na escola (um óptimo hábito que adquiri na ES*** com o nosso colega *****, a quem agradeço, desde já, tudo o que me ensinou). Quando deu o toque para a entrada apercebi-me que uma das colegas que estava escalonada para as actividades de substituição se dirigiu para BE/CRE (que é o local onde se distribui este serviço). Resolvi ir também para a BE/CRE de modo a garantir que nenhum colega que estivesse em greve fosse substituído. Entretanto o telefone toca … e pedem um professor para ir para a turma *º*. Ora esta turma é a minha turma, que não estava a ter aula pq @ professor se encontrava em greve e disse logo à colega que não poderia ir para esta turma pq era a minha turma e eu estava ali a fazer greve e que não poderia ser substituíd@. A colega respondeu-me aos berros dizendo que teria que cumprir esta ordem e que eu teria que falar com a Direcção e não com ela. Saímos do BE/CRE: ela para ir trabalhar com os alunos do *º* e eu para ir falar com a Direcção. Cruzo-me, entretanto, com os meus alunos que me perguntam se não vou para a sala. Aproveito para os esclarecer que @ professor se encontrava na escola e que estava em greve e que estavam a substituí-l@ e que isso era ilegal e que ia tratar desta situação junto da Direcção. pedi-lhes para não irem para a sala de aula. Alguns não foram e eu desci à Direcção, procurando acalmar-me enquanto descia as escadas e pensando no que iria dizer à Directora. Entrei na Direcção e falei com a Directora. Disse-lhe que estava em greve e que estava a ser substituíd@ e que isto não poderia acontecer. Ela começou por dizer-me que eu não estava a ser substituíd@ pq não estava a ser dada uma aula de ***. Eu não aceitei este argumento. Depois apelou para a minha compreensão pois os alunos não poderiam ficar pelos corredores. Eu disse-lhe que isso era um problema de organização da escola e que é à Direcção que compete resolver esse problema. Sugeri, ainda, que fechasse a escola à semelhança do que estava a acontecer em tantas outras escolas. Depois, a Directora estava nitidamente a enrolar-me e eu disse-lhe que ou retirava imediatamente aquela professora da minha sala de aula ou eu telefonava ao sindicato naquele momento. Aí ela disse-me que iria procurar esclarecer a situação e pediu um telefonema para a DREL. Pediu-me para sair da sala da Direcção e aguardar “lá fora”. Assim fiz. Passados uns minutos (poucos) ela vem ter comigo e pergunta-me em que sala eu estava a dar aulas e passados poucos minutos vejo os meus alunos a sair da escola. pergunto a um deles o que tinha acontecido e disse-me que a Directora tinha ido à sala de aula e tinha-lhes dito para irem para casa.

É nesta escola que eu traballho, onde impera o medo. Confesso que não percebo muito bem do que é que as pessoas têm medo. Mas o que é verdade é que existe esse medo. Há abusos constantes mas as pessoas nem sempre sabem como proceder e a direcção vai puxando a corda. Naquele dia não deixei que desrespeitassem o meu direito à greve. Fi-lo pq tinha a certeza do que estava a fazer e fi-lo com calma e ponderação (apesar de estar a explodir por dentro). Agradeço muito ao ***** que me ensinou estas coisas e que me foram tão úteis e que veio reforçar a minha convicção que se aprende a lutar lutando com os outros e espero que alguém tenha tb aprendido comigo (em particular os alunos que assistiram á cena assim como a funcionária da BE/CRE e das docentes contratadas que se encontravam na BE/CRE). Partilho com vocês esta minha aventura porque foi muito importante para mim e aproveito para deixar uma mensagem de esperança: vale sempre a pena lutar e que um direito não usado é um direito roubado.

Boas lutas,

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