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Os números sobre as greves valem sempre o que cada um quer que eles valham. Sobre os números que ouvi ao secretário de estado da administração pública, só posso dizer que nada têm a ver com os que se verificaram no agrupamento de escolas em que trabalho e onde sou delegado sindical do SPGL.

De resto, para esclarecimento daqueles professores, politicamente ignorantes, que gostam de acusar os sindicalistas de não terem qualquer ligação com a escola, os resultados da greve no meu agrupamento deixam-me muito satisfeito porque a adesão dos meus colegas foi muitas vezes superior ao que era habitual até 2007 e, na escola sede, pela primeira vez a adesão do pessoal auxiliar ultrapassou os 50%.

Em termos globais, dos 107 professores com serviço distribuído apenas se apresentaram ao serviço 39, o que significa que a adesão à greve foi de 63,4%. No entanto na escola sede, onde trabalho, apenas estiveram 10 professores em 56 (82,14% de adesão). Note-se que 32 dos professores que se apresentaram são contratados, o que dá relevo à fragilidade destes precários do ensino.

Das cinco escolas do agrupamento uma abriu o ATL e na escola sede os alunos puderam entrar, embora se tenham verificado situações ilegais como o facto da chefe do pessoal auxiliar ter assegurado pessoalmente o apoio a um piso, ao serviço de PBX e ao bar de professores. Mas essas são as formas que a adesivagem tem para permitir ao governo avançar com números como os hilariantes 20% apresentados em conferência de imprensa. É que a senhora, à beira da reforma, fez o trabalho de três.

Adenda:

Ao ler esta notícia só posso desmanchar-me a rir. É que o valor da adesão no meu agrupamento baixa quando contabilizo as escolas do 1º ciclo que estiveram fechadas por não haver funcionários. O que o ministério faz é “roubar” 22 professores à contabilidade dos aderentes à greve num total de 51 que prestam serviço nessas escolas. Como é um processo pouco sério, a resposta correcta é rirmos para não ofender o palhaço que nos quer animar…

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