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O Plano Inclinado é um dos programas televisivos que cumpre, na perfeição, o fim para que foi desenhado – promover a doxa neoliberal.

Nuns dias vende-nos a inevitabilidade do roubo aos salários para acalmar os mercados (eufemismo para designar o capital financeiro improdutivo e especulativo), para noutros acenar com o papão da “insurreição dos descamisados” ao mesmo tempo que menoriza a luta sindical organizada, como se os sindicatos não passassem de uma espécie de “seguro do capital”. Essa é, de resto, a tese dos instigadores das revoltas individuais, dos promotores de ajuntamentos corporativos mais ou menos focalizados e dos arautos de novos movimentos sociais intersectoriais.

No programa a seguir à aprovação do OE 2011, cozinhado por PS e PSD, sob supervisão atenta de Cavaco Silva e o olhar despeitado, mas embevecido do CDS, Mário Crespo e Medina Carreira convidaram Ângelo Correia para a dura tarefa de desvalorizar a greve geral do próximo dia 24.

No excerto do programa que foi colocado no youtube, AC e MC explicam ao povo basbaque porque motivo gostam tanto dos sindicatos e das formas de luta que eles convocam. De passagem aproveitam para assustar “a nação” com o risco de alarme social que surgiria caso os sindicatos não fizessem o seu papel de “enquadramento” dos descontentes.

Só que, do alto da arrogância que lhes advém do facto de estarem num programa sem contraditório, cometem um lapso mortal [ver a partir do minuto 2:55]. AC e MC acabam por revelar que afinal não os preocupa o “lumpen” que faz “comunas de Paris” para durarem dois ou três dias. Do que eles têm realmente receio é de quem pode fazer uma revolução. E isso só está ao alcance das massas que actuam com objectivos claros e com uma direcção consequente.

Fica explicada a admiração e valorização que uns quantos têm em relação aos “feitos” do lumpen francês e grego, que apesar do espectáculo mediático que proporciona e do efeito catártico que produz, na prática se traduz em mais perdas para quem trabalha.

É por isso que o capital tudo faz para desvalorizar as organizações que promovem a luta dos trabalhadores de forma organizada e com objectivos políticos claros. E sempre com o apoio de quem aspira a apanhar um qualquer “elevador social” ao virar da esquina.

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