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Como é da praxe, vamos assistindo a múltiplas formas de desmobilização dos trabalhadores em relação à Greve Geral de dia 24 de Novembro.

Umas mais sofisticadas, outras com enorme profissionalismo e, como não podia deixar de ser, outras com uma dose tal de ingenuidade que até daria vontade de rir a bandeiras despregadas, não fosse a matéria da gravidade que é.

A última que me chegou, de que já tinha ouvido notícias, faz-me lembrar a campanha absurda que alguns blogues e professores promoveram antes das eleições de Setembro de 2009.

Nessa altura havia uma corrente, que desgraçadamente acabou por se traduzir na maioria PS/PSD, que aprovou o OE 2011 e antes tinha acordado os PEC’s I e II, e que se traduzia na frase idiota «vota à direita ou vota à esquerda, mas não votes no PS». O resultado está à vista e significa que entre Sócrates e Coelho vamos sendo cozinhados pelos “mercados”, em lume brando.

Agora, usando também a “técnica do mail”, circula por aí a ideia de que vestindo de preto as pessoas que não vão fazer greve também dão força ao protesto.

Asneira da grossa.

No próximo dia 24 de Novembro só há uma contabilidade a fazer: saber quantos portugueses se recusam a trabalhar, abdicando voluntariamente do salário de um dia para lutar contra as medidas de injustiça social que nos são impostas, e quantos vão ganhar esse dia de salário, aceitando sem protestar que a partir de Janeiro, e para o resto das suas vidas, lhe seja tirado todos os anos um mês de salário. O mesmo é dizer que quem não fizer greve, para não perder um dia de salário, aceitará sem estrebuchar que de Janeiro em diante lhe tirem todos os meses dois dias e meio de salário.

E não se pense que essa redução salarial é apenas para os funcionários públicos. Consolidada essa ideia por parte do empregador Estado, nada impedirá que os empregadores privados façam exactamente o mesmo aos seus assalariados. Até porque tal como na natureza, na economia o dinheiro não se perde… apenas muda de mãos. E o que desaparece do bolso dos trabalhadores tem como destino certo os bolsos dos capitalistas.

Para este estado de coisas só resta a quem trabalha o caminho da luta e da resistência.

Por isso só conta quem adere à Greve Geral

Adenda:

Tendo sido alertado para um comentário a um post no 5 Dias, a forma clara e lúcida como está escrito leva-me a incluí-lo aqui, porque enriquece substancialmente o que atrás tinha publicado:

[…]em dia de Greve geral, ao contrário de dia de manifestação nacional, o êxito não se mede pelo número de pessoas que se juntam nas ruas, mede-se, pelo contrário, pelo número de pessoas que se tiram das ruas, que se tiram das empresas, que se tiram dos locais de trabalho[…]

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