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E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?

Almeida Garrett, in ‘Viagens na minha Terra’

 

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A manifestação que ontem desceu a Avenida da Liberdade teve uma participação de professores que ultrapassou em muito o que é habitual em manifestações  convocadas pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública.

As comparações que certos e determinados analistas da “revolta dos professores” fazem aqui, aqui e aqui, valem o que valem, na medida em que cada analista usa as lentes que melhor se adaptam à sua visão, e parte dos pressupostos teóricos que constituem o seu património pessoal e político. Convém é que os explicitem para não enganar leitores incautos.

P1020161 Nas várias “crónicas do acontecido”, e nas reportagens fotográficas publicadas em blogues de professores, a participação dos professores é desvalorizada por comparação com as mobilizações de 2008.

É justo não perder de vista que essas grandiosas manifestações fazem parte de um património histórico dos professores, mas convém não tomar a nuvem por Juno ao continuar a alimentar o mito de uma unidade política e de acção de uma classe profissional composta por mais de 100.000 indivíduos, que perfilham ideários diversos e muitas vezes antagónicos, quer em questões políticas e ideológicas, quer de organização da profissão, quer mesmo de ordem deontológica e metodológica.

 

É à luz destas clivagens que tem que se analisar a participação dos professores na manifestação de ontem, comparando-a com outras iniciativas promovidas pela Frente Comum e pela CGTP e não com os epifenómenos de Março e Novembro de 2008. E nesse contexto, a presença dos professores em mais esta manifestação superou as expectativas, com grande presença dos sindicatos da FENPROF, mas também de outras associações não filiadas na federação.

P1020164 Também os Professores Unidos marcaram a sua presença e o seu empenho na Luta, dando o seu contributo para a revitalização do SPGL (sindicato de que somos sócios) e mobilizando cada vez mais professores para este combate contra a injustiça e o roubo perpetrado pelo capital contra o trabalho.

Quanto à cobertura noticiosa que a manifestação teve nos media, tudo correu de acordo com o cânone. Incluindo a proverbial ignorância com que nos brindam as caras mais mediáticas que nos entram pela casa dentro, como no caso do jornalista da TVI que resolveu excluir professores, forças de segurança e ASAE do universo dos funcionários públicos… a bem da nação. (ver o vídeo entre 2:15 / 2:25)