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Os estrategas do governo PS, e a direita dos interesses que ele tão pressurosamente serve, conhecem bem a receita para dividir aumentando a expectativa de duração do seu reinado.

Se grande parte do apoio popular que Sócrates granjeou, entre 2005 e 2008, se fundou no ataque aos sectores que foram identificados como “as corporações”, agora, precisando de continuar a meter a mão nos bolsos de todos os portugueses, arranjou uma fórmula para fingir que só alguns são atingidos, ainda por cima de forma alegadamente selectiva e progressiva.

A determinação do montante de 1.500 €, como o valor a partir do qual se vai aplicar o roubo descarado nos salários do sector público, não surgiu de forma aleatória. Trata-se do atingir de forma clara e inequívoca os alvos preferenciais do PS: os professores e a sua carreira. É que 1.518,63 € corresponde ao valor do 1º escalão da carreira, índice 167, o que consubstancia a diferenciação entre contratados e professores do quadro como a fronteira entre sentir directamente o roubo ou apenas imaginar que isso é assunto que não diz respeito a quem ainda só é “candidato a professor”.

Dividir para reinar é a palavra de ordem dos donos do poder e é a partir desse olhar que devemos interpretar a mistificação que anda a ser feita sobre a responsabilidade do acordo assinado entre o ME e alguns sindicatos de professores no agravamento do défice e na crise do país. Mas há quem não tenha aprendido a lição de 2005/08 e caia na esparrela de promover outras divisões, tão ou mais perigosas e eficazes, como é o caso de quem se mete por análises simplistas do acordo e seus efeitos. É que os 400 milhões são um número tão “aleatório” como os 1.500 €. Esse seria o montante de acréscimo da massa salarial no ME se o DL que traduziu o acordo (75/2010) tivesse sido publicado e aplicado dentro dos prazos razoáveis, i.e., durante o mês de Fevereiro. Foi por conhecer esse impacto que Teixeira dos Santos e José Sócrates adiaram quanto puderam a sua publicação.

Não deixa de ser curioso que numa altura em que o ataque do capital e da direita aos direitos dos trabalhadores atinge as proporções da desvergonha do que foi anunciado no dia 29 de Setembro, os comentadores do costume se atirem como gato a bofe aos professores e entre estes últimos haja quem aproveite para mais uma vez desvalorizar a acção sindical, mesmo que de forma ínvia e pouco clara.

O que já foi anunciado e o que aí vem a caminho exigem uma outra atitude e uma união de todos os trabalhadores que não se compadece com taticismos, preconceitos e temores infundados. Os próximos meses serão determinantes para o futuro dos trabalhadores e nesse barco estamos nós, os professores, goste-se ou não do facto de fazermos parte do sector público e de sermos alvos a abater por parte do governo que está e do que se perfila para vir a estar.

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