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Um dos homens do FMI em Portugal, Ernani Lopes (sem H) velho companheiro do padrinho Mário, voltou a ser notícia com a sua celebrada receita de cortar nos salários da função pública para reduzir o défice e conter o “descalabro” das contas públicas.

No entanto, ao ler com mais atenção a frase que é atribuída ao guru dos gurus da economia portuguesa, não fico convencido de que o reputado economista queira dizer o que se afirmam que disse.

Parece-me mesmo que ao dizer “O único ponto em que o Governo poderá reduzir as despesas é baixar os salários, pois não vejo mais margem de manobra“, o que Ernani Lopes quereria afirmar é que o governo terá que reduzir os salários dos avençados (não dos funcionários) e as rendas dos “outsorcings”, introduzindo em simultâneo as condições legais para implodir as empresas municipais que acumulam prejuízos realizando as tarefas que são de responsabilidade dos serviços municipais.

De facto temos que reconhecer que o Estado gasta muito e mal. Mas o excesso de gasto não pode confundir-se com os custos normais de funcionamento, quer do Estado central, quer das autarquias. O verdadeiro desperdício (que creio que os ernanis lopes dos país deveriam querer combater) é o que tem origem na substituição dos serviços dos Estado e dos respectivos funcionários por avenças e outsorcings com empresas de amigos dos partidos do regime.

Acabar com esses sacos azuis sem fundo, por onde desaparece o dinheiro dos nossos impostos, é a verdadeira margem de manobra para garantirmos a viabilidade de um país que tem futuro. E apostar na produção nos sectores primário e secundário, de forma a diminuir a nossa dependência do exterior, deixando de ser “os bons alunos europeus” que ajudam a crescer a produção agrícola francesa ou a produção industrial alemã, ao mesmo tempo que continuamos a endividar-nos com juros cada vez mais altos.

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