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Nos últimos dias temos assistido a um esforço patético do PS para recuperar uma bandeira de esquerda, que deitou fora há muito tempo atrás e que, desde a chegada de José Sócrates ao poder, rasgou e amarfanhou com grande entusiasmo e vigor.

Primeiro, nas suas jornadas parlamentares:

“Se há tema que na Europa e claramente em Portugal distingue a esquerda e a direita, é a preocupação com a preservação do Estado social”, sustentou Francisco Assis […] Segundo o presidente do Grupo Parlamentar do PS, “alguns” sectores, aproveitando a actual conjuntura de crise, “estão a ser tentados para pôr em causa conquistas civilizacionais do século XX”.
“Este será um elemento central do debate político nacional nos próximos tempos. O PS não abdicará de defender aquilo que é essencial”, advertiu Assis.

Depois, numa conferência internacional promovida pela fundação Res Publica

“É profundamente ingénuo e errado pensar que um mercado funciona melhor quanto menos regras tiver e isso ficou provado com esta crise”, afirmou José Sócrates, no encerramento de um colóquio sobre socialismo democrático, organizado pela Fundação Res Publica.

Claro que, para branquear as políticas neoliberais que têm posto em prática desde que ocupa o poder e que agora verbera, o 1º ministro se desculpa sempre com a globalização e com a necessidade de cumprir as orientações das instâncias de governação internacional, às quais o país pertence.

Claro que podemos dar de barato que à globalização hegemónica neoliberal, que é imposta pelo capitalismo global  protagonizada pelos governos dos países centrais, se opõe uma globalização contra-hegemónica, que como afirma Boaventura Sousa Santos consiste na globalização das lutas que tornem possível a distribuição democrática da riqueza, ou seja, uma distribuição assente em direitos de cidadania, individuais e colectivos, aplicados transnacionalmente.

Convém, no entanto, perceber que a opção por um caminho ou outro é de natureza política e ideológica, não se resumindo a questões de ordem técnica. A complexidade do problema obriga a fazer opções e o PS (desde direcção até aos notáveis que agora sacodem a água do capote) fez as suas opções em devido tempo.

Durante cinco anos e meio atacou o trabalho e aliou-se ao capital, preferiu governar à direita e deixar umas migalhas para a esquerda, no campo dos costumes. É caso para dizer: tarde piaste…

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