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A direita portuguesa, saudosa da escola cujos diplomas garantiam aos seus filhos o elevador social que era negado aos filhos das classes trabalhadoras, erigiu em inimigo principal as Ciências da Educação.

O seu ponta de lança, cujo maior mérito foi descobrir o filão mediático e financeiro que representava o termo “eduquês”, é Nuno Crato.

Numa altura em que todos os portugueses cheiram no ar a mudança de 1º ministro(*), o Ramiro Marques começa a fazer campanha para que o ex-presidente da SPM venha a dirigir a comissão liquidatária do ME do governo Passos Coelho.  *(não se percebe porque temos que esperar até ao final de 2011 para o incompetente José Sócrates entregar de bandeja todo o trabalho sujo, já feito, nas mãos de Passos Coelho)

Seria o mesmo que o Tio Patinhas entregar a chave do cofre-forte ao chefe dos Metralhas.

Nuno Crato, e com ele muitos dos “experts” que mais tempo de antena têm na comunicação social, tem um “ódio de estimação” às Ciências da Educação. Provavelmente, nem ele saberá muito bem por quê, tirando o facto de estar na moda. É que, de facto, ao contrário da vulgata da direita, não foram pessoas ligadas às Ciências da Educação, nem os perigosos “esquerdistas façanhudos” que propuseram, aprovaram e promulgaram as centenas de medidas legislativas que vêm paralisando as escolas nos últimos anos. Os responsáveis por essa produção legislativa foram os governos eleitos pelos portugueses (para memória futura dependentes apenas dos 3 partidos do chamado “arco-governativo”) e os técnicos e militantes desses 3 partidos que enxameiam as estruturas centrais e intermédias do ME.

Sobre as responsabilidades das Ciências da Educação convém ler a conferência proferida na Academia das Ciências de Lisboa, a 27 de Julho de 2006, pelo Professor Albano Estrela, disponível na Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 1, pp. 141‑146

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