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Há bué de tempo que ando à espera do “passo seguinte”.

Desde o início desta “estória”, que uns consideram triste (mas que não é mais do que a acção dos actores na sua luta política para obterem ganhos estratégicos na sua relação com o outro), que está claro que os movimentos autónomos tinham uma de duas vias para escolher: 1. extinção incondicional; 2. institucionalização.

Uma vez que a extinção incondicional não faria sentido, face ao investimento pessoal de alguns actores e à dimensão mediática obtida, o caminho da institucionalização era o mais óbvio.

Do ponto de vista individual, o caminho para a institucionalização não tinha que ser igual para todos os actores envolvidos nos movimentos. Para uns, nos quais me incluo sem a menor dúvida (não sei se para muitos mais), a institucionalização passaria pela adesão ou reintegração no movimento sindical existente. Para os que rejeitam a participação nesse movimento sindical só poderia restar outra opção: a criação da sua própria instituição.

Dos movimentos que se reclamam de uma autonomia política e partidária (que ainda carece de prova), um constituiu-se em associação formal, outro faz apelos regulares a uma institucionalização conjunta e o terceiro remete-se a uma resistência virtual, com a manutenção de um site que vai reproduzindo textos colhidos aqui e ali, sem se lhe conhecer produção própria.

Hoje, dia em que os sindicatos filiados na FENPROF realizaram plenários distritais englobados na jornada de luta da CGTP-IN (esse “coio de comunistas comedores de criancinhas e inimigos do mérito e da promoção individual), a APEDE publicou um texto em que ataca frontalmente a FENPROF, não se coibindo de adjectivar a má-fé do governo como sendo uma página negra do sindicalismo docente, atribuindo a respectiva responsabilidade aos dirigentes sindicais.

O texto é longo, como é apanágio do seu autor, que tem tanto de eloquente como de mal educado, mas apenas é relevante numa ideia que deixa expressa sub-liminarmente, sem ter coragem de a assumir por completo

Talvez seja pois chegada a altura, passado todo este tempo de luta, dos professores se interrogarem, muito a sério, se consideram que estão a ser bem representados e bem defendidos nas negociações com o ME e o governo […] os recorrentes “soundbites”- “só por dentro é que podemos mudar os sindicatos e melhorá-los” e “os sindicatos são o que os sócios quiserem e fizerem deles”- não passam de “slogans” demagógicos e artificiais e de uma “cortina de fumo” com o objectivo claro de travar a mudança e impedir uma reforma profunda das organizações sindicais. A verdade é que estamos, cada vez mais, necessitados dessa reforma. Ou de um outro caminho. O tempo urge

Trata-se de um apelo a umas bases míticas que, na saga da sua luta virtual (que não virtuosa) contra o neoliberalismo imposto por Bruxelas e reconfigurado por Lisboa, este dirigentes do(s) movimento(s) pensam liderar. Esse apelo velado deveria ser consequente e propor aos professores (a quem tanto apelam e de quem se acham lídimos representantes) a criação de um “outro sindicato”, quiçá de uma “ordem refundadora da profissão”.

Como comecei por escrever, logo no primeiro período deste já longo texto, há bué de tempo que aguardo por esse momento. Pensei que fosse hoje. Afinal vou ter que esperar até Setembro, altura em que, de acordo com um membro da direcção da Apede

Depois de tantas “vitórias” e tantos acordos ainda estamos pior que no início.Vamos todos juntar-nos logo em Setembro para estabelecer o “nosso” programa de acção. Zé Manel ( membro da direcção da APEDE)