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Inserida numa campanha de marketing escorreita, a entrevista que MLR concedeu ontem ao Expresso pode suscitar diversas reacções, conforme o campo em que cada um se coloque para interpretar as palavras ditas e as ideias que são veiculadas por tais palavras.

Não terá sido por acaso que a chamada na 1ª página é «Os professores preferem ser todos iguais» e o título da entrevista, no interior, é «Há uma enorme resistência dos professores à diferenciação».

Esta questão é uma das ideias-força que marca toda a acção da ministra da educação do 1º governo Sócrates: a ideia da competição entre os profissionais da escola-empresa, como forma de promover a qualidade do produto/serviço prestado.

Maria de Lurdes Rodrigues está (continua) obcecada com o modelo empresarial da gestão escolar e, ao longo da entrevista, nota-se alguma mágoa não explícita pelo facto de o instrumento-chave desse seu modelo ter sido derrotado pela acção dos professores e das suas organizações de classe. MLR não consegue admitir a ausência de uma estrutura hierárquica na governação da escola e na regulação das relações profissionais entre professores. Daí que afirme, com aparente amargura, que os professores preferem ser todos iguais e rejeitam a diferenciação.

Curiosamente, é exactamente em torno da diferenciação/indiferenciação funcional e dos modelos de cooperação/acção individual dos professores que se verificam as grandes clivagens entre muitos dos que mais se bateram nos últimos três anos contra as políticas educativas “socialistas”.

Desde logo na clivagem sobre os modos de acção política e de combate às políticas de carreira e avaliação do desempenho. A acção colectiva, apesar da adesão às manifestações e greves que marcaram a fase mais dura da contestação, é rejeitada por muitos professores, sendo frequente constatar um exacerbamento dos interesses individuais e o apoucamento de quem preconiza a necessidade da acção colectiva.

Mas também em muitas tomadas de posição, até de algumas das individualidades de referência na luta contra a ADD, que não são discordantes da ideia de premiar o “mérito” e da utilização dos resultados escolares como forma de “diferenciar” os seus próprios “méritos”.

De resto, veremos em tempos que talvez não estejam tão distantes, alguns dos mais ferozes opositores a MLR e IA argumentarem com as suas “qualidades profissionais e pessoais” para justificar esta ou aquela prebenda a que venham a ter acesso. O que contraria em absoluto a ideia da ministra de que «os professores preferem ser todos iguais»

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