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Analisar a criação dos mega-agrupamentos, seja do ponto de vista da gestão pedagógica, seja do ponto de vista organizacional, seja do ponto de vista da racionalização das relações entre a administração e os administrados, quer por via da desconcentração de poderes, quer seja através de uma efectiva descentralização administrativa, só permite uma conclusão – trata-se do acto governativo mais absurdo de que há memória na história da escola pública portuguesa.

No entanto eles estão aí, alguns já em início de instalação, os outros a caminho da rampa de lançamento, rumo a 2011/12.

Desta vez, é tal o absurdo da medida, o governo nem consegue (se é que tal passou pela cabeça do 1º ministro) um qualquer “estudo” que levemente justifique a medida.

Até o argumento justificativo, que pretende ligar a constituição dos mega-agrupamentos à constituição de centros escolares e encerramento de escolas com menos de 20 alunos, não passa de uma justificação tosca e coxa, de quem acha que a crise tudo explica, ilbando os governantes da responsabilidade de defenderem o bem público educativo.

Dito isto, fica por explicar a anomia da classe docente, que se reclama de uma reflexividade e de um amor à causa da escola pública que contrasta com a conivência na aplicação de medidas como o absurdo a que vamos assistir até ao fim da actual legislatura.

Da parte dos professores, tal como diz o Ramiro, há um desinteresse total numa luta cujo ónus atribuem aos directores que perderão o lugar.

Da parte dos conselheiros gerais, colaboracionistas da primeira hora na montagem do 75/2008, fica a inexistência agora comprovada. Serviram para destruir os últimos vestígios da gestão democrática das escolas, quase sempre ao serviço da agenda dos amigos directores de quem esperavam uma qualquer compensação, e agora não têm estatuto moral nem capacidade política para exercer o poder de que estão investidos por uma legislação que nunca compreenderam.

Da parte dos directores, tirando algumas raríssimas excepções, vão-se contando espingardas, fazendo cálculos de cabeça e perspectivando a possibilidade de continuação (agora com um “poder” acrescido, porque o território e a população serão mais vastos) ou a reforma com um pouco menos de brilho, mas ainda assim compensadora.

E ainda há uns quantos que, repetindo a argumentação esfarrapada que utilizaram para destruir o 115-A/98, continuam a repetir (para se auto-convencerem) que aceitam a nomeação dos DRE’s, para dirigirem ou integrarem as CAP’s, em defesa dos colegas das respectivas escolas.

Com gente assim, a escola pública que estava à beira do abismo dará mais um passo em frente. Até que os portugueses, em particular todos quantos ainda acreditam que os serviços públicos de carácter social não são bens transacionáveis com fins lucrativos, tenham a coragem de, nas urnas, mudarem o sentido das políticas.

Enquanto isso não acontece resta-nos continuar a luta contra os absurdos das políticas neoliberais, através da persuasão e de um trabalho continuado de desmontagem dos medos que nos são impostos.

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