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O Ricardo Montes interroga-se sobre a validade das tão famosas quanto reclamadas actas das negociações entre ministério e sindicatos.

Com alguma generosidade da sua parte, RM apenas dá relevo às actas em termos de conhecimento, mas acha-as irrelevantes para os professores. A meu ver tem meia razão.

De facto, no que diz respeito à relação entre os professores e o ministério da educação, o conhecimento do conteúdo das actas é completamente irrelevante pelos motivos que ele invoca.

Já no que diz respeito às relações entre os professores e os seus sindicatos a matéria tem relevo, sobretudo para quem pretenda desvalorizar a capacidade de intervenção dos dirigentes sindicais, mesmo utilizando um discurso de apoio genérico ao sindicalismo docente.

Não esquecendo que quem mais se tem destacado em ataques (que são públicos, estão registados e espalhados na rede) aos dirigentes da FENPROF utiliza como um dos cavalos de batalha a ideia de que houve uma traição dos sindicatos e as actas seriam a prova irrefutável dessa traição.

É que o RM parece continuar a acreditar que “estamos todos no mesmo barco”, e a preocupação de todos os professores se esgota nas questões da escola pública e do profissionalismo docente. Por isso não considera a possibilidade de existir quem, desde os finais de 2007 início de 2008, se julgue uma espécie de Cohn-Bendit português, disputando a arena mediática com quem considera serem os verdadeiros culpados do estado de anomia dos portugueses em geral e dos professores em particular – os dirigentes sindicais da maior organização de professores do país. E até ache, nesse seu sonho revolucionário, que um dia poderá transferir-se da escola da periferia urbana em que trabalha para corredores atapetados, onde se respira o perfume inebriante do poder.

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