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Quando um diz mata, vêm os outros e dizem esfola.

Concedamos, se isso os alegra, e atiremos com a responsabilidade da não suspensão da ADD para as costas dos dirigentes da FENPROF em geral, e para cima do Mário Nogueira em particular.

É que quem estiver atento à insistência com que se critica a “inabilidade negocial” de MN e do secretariado nacional da FENPROF, só pode convencer-se de que foram eles que decidiram que o simplex havia de funcionar e que, ainda por cima, deveria ter consequências nas carreiras, nos concurso e no que mais se verá.

Pouco interessa saber que a fabricação das políticas públicas não se restringe à acção dos actores institucionais e que, na sociedade contemporânea, os governados detém o poder de legitimar a acção dos governantes. Faça-se o auto de fé tão reclamado e a seguir proclame-se a infalibilidade dos ungidos da web 2.0

Mas antes deixem-me recorrer a alguém que, não se reclamando defensor(a) de sindicatos, nem tendo interesse directo nesta contenda (para lá do seu trabalho de investigação) lembra coisas tão comesinhas como «No caso de uma transformação laboral e organizacional que coloque em causa estruturas complexas de poder, a colaboração dos membros visados é extremamente importante para a gestão da transição e para a sua aceitação.» (Pereira, 2009, p.41)

É que no meio de tudo isto convém não esquecer que quem legitimou a continuidade do simplex foram todos quantos resolveram entregar os OI’s, tão logo o ministério de MLR lhes garantiu que poderiam ser avaliados sem que lhes entrasse alguém pela sala de aula dentro.

Não consta que entre essas dezenas de milhar de lutadores anti-ADD estivesse algum membro do secretariado nacional da FENPROF, mas admito não saber tanto sobre esta organização como alguns não membros, que sabem tudo sobre actas, identidades de sócios de sindicatos e respectivas filiações partidárias.

Ainda assim não me custa reconhecer que a aplicação das classificações da ADD em concursos nacionais de colocação de professores é uma derrota para os professores, que terá consequências muito graves para a qualidade da escola pública.

Agora, partindo dessa premissa, considerar que houve uma vitória póstuma de MLR, só mesmo por má fé, quando sabemos que a reconfiguração da profissão que foi desenhada pelo seu consulado não foi nem será aplicada, porque a base de divisão hierárquica foi destruída, e o que resta de pé (e contra o qual teremos que continuar a bater-nos) decorre de imposições de outras instâncias supranacionais. É que voltando a socorrer-me de Pereira (idem, p.43) lembraria que «Tal como noutros países europeus, verificamos que, sob a égide da necessidade de controlo da qualidade da prestação dos serviços educativos, se assiste à introdução de esquemas renovados de avaliação de desempenho, introdução de novos modelos de reorganização das escolas, das relações de emprego e da profissão docente em Portugal.»

Pereira, I. (2009). Avaliação do Desempenho Docente e Conflitos Profissionais: Ensaio de um Enquadramento e Exploração de Evidências sobre o Caso Português. CIES e-Working Paper n.º 58/2009

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