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A aprovação do DR 2/2008 desencadeou uma guerra entre professores e ministério, no início de 2008, que acabou por ser determinante nas eleições de Setembro de 2009 e continua a ter as suas sequelas no seio dos professores, quer nas escolas, quer nas relações com as estruturas que os representam.

À volta do tema avaliação de professores foram escritos rios de tinta, dando origem a discursos cruzados e antagónicos entre o governo e os seus defensores, por um lado, e os professores por outro.

Apesar desse clima de guerra, e dos discursos opostos, manteve-se o consenso em torno de um princípio – a avaliação é necessária. Sobre este facto não existe qualquer divergência, situando-se o problema na definição dos objectivos que ela deve perseguir.

A partir dessa diferença insanável, com o governo a fingir estar interessado numa avaliação formativa mas centrado na tradução da avaliação em consequências para a carreira, ao passo que os professores questionam as implicações na carreira embora aceitem o seu valor formativo, começaram a construir-se mitos como o da avaliação chilena, ou de que nenhum país europeu avaliava os professores.

Outra narrativa com o seu quê de mítica foi a de que todos os professores estavam interessados no carácter formativo da avaliação, e apenas rejeitavam a burocracia apensa ao modelo. Um facto se encarregou de desmentir essa narrativa – no dia em que os professores souberam que já não tinham que abrir a caixa negra, desvendando o que se passa no interior da sala de aulas, o governo ganhou a batalha determinante da entrega dos objectivos individuais, ficando a resistência reduzida a números que permitiram que o ministério salvasse a face.

É preciso que tenhamos consciência de que a avaliação individual dos professores veio para ficar. O que virá a ser e que fins visará atingir vão ser determinados pela capacidade de intervenção dos professores. Para que essa intervenção seja mais reflectida e baseada em factos, que não em mitos, convém conhecermos qual a tendência das políticas noutros países, em particular na Europa a que continuamos a pertencer. É também para dar um contributo nesse sentido que iniciei a publicação de alguns textos sobre as tendências internacionais neste campo.

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