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Sobre a existência ou não de uma agenda dos media, no caso da luta que se travou entre professores e governo, há quem negue a sua existência pura e simples, há quem relativize a sua importância por achar que a mediatização da luta foi a única questão verdadeiramente importante e há quem, como eu, procure analisar os motivos que levaram a que, alguns jornalistas primeiro, e parte significativa da opinião publicada depois, tivessem mudado de campo e passassem a considerar menos positiva a acção de Maria de Lurdes Rodrigues.

Sobre as relações entre jornalistas e suas fontes convém procurar saber o que é que a investigação vem produzindo, pelo que vou recorrer a  quem já trabalhou o assunto, em vez de me ficar pela minha opinião.
fontes e jornalistas parecem estar ligados por relações que pressupõem diferentes níveis de variação, os quais dependem do tipo de organização das fontes e do tipo de organização das notícias. «Fontes diferentes apresentam requisitos diferentes, em termos de exposição e de reserva de conhecimento». De resto, como observou Bourdieu, «o jornalista é uma entidade abstracta que não existe»; o que existe são jornalistas de diferentes idades, de um e de outro sexo, com diversos graus de formação, diversos estatutos na profissão e trabalhando em quadros institucionais bastante distintos. O que não pode deixar de ser tido em consideração, na análise da relação com as fontes.
Pinto, M. (2000), Fontes Jornalísticas: Contributos para o Mapeamento do Campo, Comunicação e Sociedade 2, Cadernos do Noroeste, Série Comunicação, Vol. 14 (1-2), 2000, 277-294