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Assisti ontem, ao fim da tarde, a mais uma excelente conferência do Professor Licínio Lima, da UMinho.

No seu estilo claro, rigoroso e comprometido com uma visão do mundo que assenta na democracia e nos direitos dos cidadãos, LL fez uma análise das políticas públicas de educação contemporâneas em 5 tópicos:

  1. Governação e agendas transnacionais;
  2. Aprendizagem e qualificações ao longo da vida;
  3. Gerencialismo e hiperburocracia;
  4. Avaliação e performance competitiva;
  5. Da contrapedagogia ao pensamento educacional.

Ao longo destes cinco tópicos LL explicou ao presentes como funcionam os novos instrumentos de regulação das políticas públicas, qual o papel da despolitização desses instrumentos de governança na acção pública e como a utilização da soft-regulation, através de constrangimentos, directivas, processos, acaba por se tornar muito mais eficaz do que a utilização da velha regulação através da injunção e do normativismo legal.

Resumindo, uma conferência que teria sido muito útil a quem se entretém a falar sobre as “evidências”, nomeadamente as que nos são servidas diariamente pelos OCS, sem perceber exactamente o que está para além dessas evidências.

Depois de jantar assisti também à anunciada “mesa da polémica”, entre as duas federações sindicais que representam um número significativo de professores portugueses e os movimentos (colectivos e individuais) de professores.

Excelentes intervenções dos dois dirigentes sindicais, enunciando de forma clara o que foi o trabalho das duas organizações ao longo dos consulados de Sócrates. Intervenções na linha do expectável dos quatro representantes dos movimentos de professores (quatro não é gralha). Faltou, eventualmente por dificuldade em se deslocar a Lisboa, o representante do quinto movimento, o que foi pena já que poderia ter esclarecido o que se passou com uma manifestação fantasma, à porta do ME.

Francisco Almeida, coordenador do SPRC e membro do secretariado da FENPROF, foi uma demolidora surpresa para quem o tinha publicamente menosprezado. E não serão, certamente, manobras de diversão de última hora que põe em causa a prova empírica que pode produzir de que, em alguns blogues, se produz um discurso claramente anti-sindical e muitas vezes clinicamente e cinicamente dirigido contra a FENPROF.

Muito instrutivo foi ter ouvido um dos fundadores da Apede afirmar que os sindicatos de professores deveriam desrespeitar a ordem constitucional, retirando ao presidente da república o direito a utilizar o prazo constitucional que tem para apreciar os diplomas que lhe são apresentados para promulgação. Instrutivo por demonstrar o grau de responsabilidade deste tipo de personagem, sobretudo vindo de quem não se cansa de arremessar contra os adversários o argumento dos regimes totalitários que “até apagavam fotografias de agentes que se tornavam incómodos”.

Uma última nota para a representante do MEP, que ao assumir que os movimentos presentes naquela mesa não representavam só professores, incluindo outros actores do quotidiano escolar entre os seus membros, deveria ter precisado que isso só é verdade em relação ao MEP, já que os outros movimentos são, assumidamente e desde antes da sua fundação, contrários a misturas de cadernos reivindicativos entre professores, pais e alunos.