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Dentro de uma semana os portugueses que não se locupletaram com os milhões do orçamento, nem com os fundos milionários que chegaram às catadupas de Bruxelas, durante os últimos 20 anos, vão voltar a mostrar a sua indignação e a exigir a mudança das políticas públicas em Portugal.

Os professores são uma parte importante e muito significativa desse universo de portugueses que deram o seu contributo para o crescimento do país, sem terem sido contemplados com o seu quinhão dos recursos, que foram esbanjados pelos responsáveis políticos do “arco do poder” e foram parar aos bolsos e às contas offshore dos seus amigos e comparsas.

Só por si, tal facto seria suficiente para que nos juntássemos aos outros trabalhadores portugueses, do sector público e do sector privado, que dentro de uma semana vão inundar Lisboa com a sua indignação e protesto.

Mas, a verdade é que ainda temos no activo um conjunto de reivindicações específicas, que vão das questões do ECD e da Gestão da Escola, até às da qualidade do ensino e da avaliação, seja dos alunos, seja dos professores e do próprio sistema, não esquecendo as que se relacionam com as condições de exercício da profissão e a aposentação.

No entanto, a uma semana da realização de uma enorme manifestação nacional, passei pelos blogues que conheço sobre educação e apenas em quatro (além deste) encontrei referência e apelo à participação dos professores nessa manifestação. Mesmo recorrendo ao Metablogue da Educação, onde estão registados alguns que desconhecia até hoje, as únicas referências encontradas foram no MEP, outrÒÓlhar, Topo de Carreira e Professores Unidos.

Imagino que possa ser distracção ou cansaço, já que não creio que este alheamento se fique a dever a algum tipo de preconceito elitista, segundo o qual os professores são uma casta de trabalhadores à parte, devido ao facto de o seu trabalho ser predominantemente intelectual e as manifestações de rua serem coisa de “trabalhadores braçais”.

Até porque não é escondendo a cabeça na areia, e fingindo que o movimento de proletarização das funções docentes não é um dos eixos das políticas neoliberais que afundam Portugal, a Europa e o Mundo, que vamos resolver os nossos problemas e as contradições entre a escola que temos e a escola que queremos ter.