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Passei dois dias em Montemor-o-Novo, integrado num colectivo constituído por mais de 800 professores que, nas escolas de norte a sul do país, nas regiões autónomas e no estrangeiro, foram eleitos pelos seus colegas para representar os 59.679 sócios dos 7 sindicatos que constituem a Fenprof.

Durante estes dois dias houve dezenas de intervenções de todos os delegados que se inscreveram para falar (p. ex., o facto de a mesa do congresso não ter cortado o direito de intervir a ninguém, apenas limitando algumas intervenções a 3 minutos em vez dos 5 regimentais, já no final da sessão, fez atrasar mais de duas horas o início da sessão de encerramento).

Foram discutidos os documentos de reflexão estratégica consubstanciados em 3 propostas de Programa de Acção e em 2 Projectos de Resolução sobre a Acção Reivindicativa.

Em sede de votação na especialidade, das propostas aprovadas globalmente, foram aprovadas 8 alterações ao Programa de Acção e 6 à Resolução sobre a Acção Reivindicativa, tendo sido rejeitada apenas 1 proposta de alteração ao Programa de Acção.

Foram discutidas 17 moções fora da ordem de trabalhos, tendo sido aprovadas 13 e rejeitadas 4. Das aprovadas apenas 2 o foram por unanimidade, tendo sido sempre possível a cada delegado exercer o seu direito de voto em total liberdade.

A liberdade de voto existente no congresso permitiu que na votação de uma moção pedindo a libertação dos presos saharauís em greve de fome não tivesse havido unanimidade.

Conhecendo, embora mal, o Paulo Guinote, atrevo-me a considerar que se ele lá tivesse estado (bem sei que é uma impossibilidade material e um mero devaneio conceptual), teria estado de acordo com a esmagadora maioria das posições tomadas. De resto, as posições expressas por ele nos posts que ontem escreveu, como este ou este, são exemplos significativos de que no plano estratégico, e até nas tácticas que advoga, o Paulo não propõem nada de substancialmente diferente daquilo que os mais de 800 colegas dele, reunidos em Montemor, decidiram e anunciaram.

Então, porque será que um professor empenhado, um indivíduo atento, informado e esclarecido, aceita ser usado por uma comunicação social empenhada em desvalorizar o sindicalismo de classe, e em amesquinhar a classe docente e a escola pública para todos, como no caso desta notícia do Diário Económico, ou no agendamento de um programa televisivo, em que ele participou, para o dia do fim do congresso da Fenprof?

É que sobre “teorias da conspiração” há mais quem veja tanto ou mais do que o P.Guinote.

De facto, agendar o Plano Inclinado para a noite do encerramento do X Congresso da Fenprof, quando podia ter sido passado na semana passada (por já estar gravado) ou na próxima e seguintes, revela alguma coincidência a que não será estranha a postura do pivot do programa e dos seus colaboradores residentes. O P.Guinote não terá culpa nenhuma de tal facto, mas lá que se pôs a jeito, não restam dúvidas.

Da mesma forma que se pôs a jeito quando permitiu que a jornalista do DE lhe atribui o mesmo estatuto de representatividade que é reconhecido aos secretários gerais da FENPROF e da FNE, na tal notícia do DE.

O narcisismo tem limites e, estou certo, o próprio P.Guinote é capaz de se sentir incomodado quando a voz que lhe é dada é comparada com o esforço reflexivo de mais de 800 colegas, que como ele trabalham diariamente nas escolas, são directores de turma, têm alunos do currículo regular, mas também com NEE’s, PCA’s, CEF’s, EFA’s, PIEF’s, CNO’s, horários de 35 e muitas mais horas na escola e, fazendo tudo isto, continuam a acreditar que em conjunto, debatendo, discutindo, “partindo pedra”, ouvindo outras experiências e tomando contacto com outras realidades, se acaba por tomar decisões mais acertadas e que servem melhor todos nós.

post scriptum: ainda não vi o programa, porque ontem cheguei a casa perto da 23 h e demasiado cansado para me sentar em frente à televisão. Pelo que li em alguns comentários, a prestação do P.Guinote terá sido dignificante para os professores (outra coisa não seria de esperar). Vou tentar ver a repetição.Espero, pois, que fique claro que a critica aqui deixada é sobre o oportunismo da comunicação social na exploração do narcisismo individualista, ao serviço de uma estratégia anti-sindical, ao qual pessoas inteligentes, reflexivas e informadas (como devem ser todos os professores) não podem nem devem sujeitar-se.

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