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“Este é um país de bananas
governados por sacanas !!!”

Era assim que se dizia há 50 anos,
fazendo-se justiça à corja que mandava
e à cobardia dos que se vergavam,
para grande alegria dos que se amanhavam.
No tempo em que, p.ex., para se implantar uma empresa de pesca
ou transformadora de pescas, mesmo em Angola, se tinha de pedir
autorização ao escroque Henrique Tenreiro
(Ah! as queridas leis de fomento… lembram-se? Claro que não!)
que a concedia se ficasse com uma quota, cedida gratuitamente.
Falo do que sei, por conhecimento directo, rapaziada,
não percam tempo a tentar alindar o que era sujíssimo.
(Como reparam, a técnica usada hoje
pelos todo-poderosos de Angola, já tem muitos lustros.
Foram bons discipulos dos mestres…)
No tempo em que  de um preto dócil e subserviente
se dizia que tinha “coração de branco”
e de um branco altamente cafageste e f.p.
se dizia que tinha um “coração negro”.
Conhecem coisa mais racista?
(Não me digam que tb usaram a frase…)
Hoje, continuamos a ser
um país de bananas,
governados por sacanas.
Porem, há muitos anos (ou será que foi ontem ?…)
alguém escreveu:
Pergunto ao vento que passa,
notícias do meu país.
E o vento cala a desgraça,
o vento nada me diz.
A diferença é só essa: hoje não é preciso perguntar ao vento que passa.
Basta abrir a TV ou ler os jornais.
Porque os sacanas de hoje já não conseguem esconder a podridão,
como faziam os sacanas de antanho.
Sem tribunais ou escutas a controlá-los… Era trigo limpo e farinha “Amparo”.
Porque sacanisses, todos os sacanas fizeram e fazem.
Os actuais, também tentam calar a comunicação social,
como faziam outrora os Moreiras Batistas e o resto da escumalha.
E outra coisa:
a estes sacanas que nos governam, somos nós que os lá colocamos
e mal queiramos, eles deixam de nos sacanear.
Aos sacanas de antanho ninguem os mandatou para nada,
ninguem lhes atribuiu o poder. Sacanearam-no e pronto.
Com o “pax vobiscum que o teu pai é franciscum” do
beato Cerejeira e seus apaniguados.
E a quem bufasse, o Tarrafal estava alí tão perto.
E só deixaram de nos sacanear quando numa madrugada
já quase esquecida, ali da minha Santarém natal, saiu um grupo de homens,
daqueles que não tinham nada a perder e que, com algumas ajudas,
abanaram a arvore que, de tão podre, caiu, mesmo sem serra nem corda.
Nada de venal pediram em troca, porque não era a isso que vinham.
Já morreram quase todos e nenhum deles enriqueceu.
Não eram clientela partidária. Pelo sonho é que iam.
Quem os conhecia como conheci (designadamente, o Salgueiro Maia),
não precisa que lhe contem estórias.
E se acaso estiverem tentados a apostar numa teoria da conspiração,
façam um exercício, apostando numa conspiração da teoria…
É que, sete dias depois, as ruas estavam cheias de gente
irmanada naquilo que não queria, debitando um caudal infinitamente superior
ao das “manifestações expontâneas” de apoio ao Tonho e sua quadrilha…
Mas…
Mas foram apanhados ali logo, na esquina…
os abutres oportunistas, estavam a postos.
O tempo passou, passou e a sacanagem foi trocando de roupa, de bandeira
e subindo a escadaria do poder. Será fatalismo histórico?
(O sebastianismo será mesmo a histórica demissão dum povo?
Uma fatalidade? Ou uma panaceia sacanistica?…)
Pq, até que me provem o contrário, estou convicto de que
o mal não esteve no 25A que baniu,
por breves momentos, a sacanagem.
O mal esteve e está em que a sacanagem
escondeu-se, camaleou-se, reagrupou-se,
reciclou-se, mas nunca cessou de tentar banir o 25A.
E a sacanagem não tem casta nem regras de sucessão.
Não é hereditária. Não se confundam as coisas.
A sacanagem é uma irmandade comungada num estado de alma.
Quem a tem, tem. Depois, é só esperar uma vaga no quadro…
Ainda que possa assumir várias cores e nomes.
O 25A foi só aquilo:
uma fé de alguns justos em que o homem não tinha de ser lobo do homem.
Em que o homem não tinha de ser, necessáriamente, um canibal sacanote.
Foi só um sonho de igualdade, solidariedade, fraternidade.
Durou o fugaz tempo que duram os sonhos bonitos…
Um sonho altruísta como muitos outros, que se desvaneceu,
pq a espécie humana é mesmo assim,
maioritáriamente egoísta, invejosa, desleal, oportunista, asquerosa.
Mas, como sempre, a injustiça e a iniquidade,
tenham a cor e o perfume que tiverem,
podem ir de vitória em vitória, mas só até à derrota final.
Porque as vitórias cujas raízes são só a ganancia e o egoísmo,
duram só o tempo que o tempo quiser.
E o tempo, a seu tempo, como notam, vai fazendo uns ajustes,
até ao ajuste final…
Voltaremos a dar as mãos, num próximo 25A.
(pode ser num Julho ou Agosto, que as manhãs são mais claras
e os dias mais longos)
Desta vez, de preferência, sem camaleões…
até porque a jóia da coroa já cá não está.
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Este mini texto foi, o meu apontamento deste ano.
Como recordam, todos os anos o faço, pq a memória,
a consciência e os afectos é o que, fundamentalmente,
nos torna diferente dos demais animais.
Se algum amigalhaço sentir vontade de fazer qq coisa,
então, antes de obtemperar, aproveite a energia para reler e treler…
pq está lá tudo. Não posso é ensinar ninguém a ler.
Já cumpri esse dever. Há muito, muito tempo.
E fui muito gratificado por isso.
Pq isso, ajudou-me a crescer.
Não a encher os bolsos, mas a ser.
E recordem que o pior cego é o que não quer ver (ou ler…).
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