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Há uma semana atrás, na sequência da publicação do aviso de abertura do concurso para 2010/11, escrevi um post que intitulei de Inaceitável, por me parecer que a inclusão dos efeitos do simplex na graduação dos concorrentes é inaceitável por parte de todos os professores e das suas organizações de classe.

Ao longo dos dias seguintes procurei interpretar os dados que tinha disponíveis, não à luz de teorias conspirativas (que podem ser mais ou menos populares), mas identificando os actores envolvidos nesta acção concreta (impor um modelo de avaliação errado, mesmo reconhecendo o seu demérito) e analisando as lógicas de acção que determinaram as suas decisões. O último post que fiz sobre o assunto foi intitulado de Medindo forças, na medida em que ficava claro que este assunto é, do ponto de vista do governo (e em particular do tandém José Sócrates/Teixeira dos Santos), a pedra de toque na estratégia de esvaziamento do poder que mais os afrontou (com as consequências eleitorais conhecidas) durante a anterior legislatura.

Aparentemente, a conjuntura política e económica é, no momento actual, extremamente favorável aos desígnios de José Sócrates.

No plano económico, o papão da crise e o receio de eventuais consequências ainda mais negativas para a vida dos portugueses, faz com que o bonecreiro-mor (Teixeira dos Santos) vá ganhando cada vez maior espaço de manobra, e imponha a sua vontade a um conselho de ministro sem peso político e a um partido cada vez mais dependente dos humores do chefe, por temer a perda do poder a curto/médio prazo.

No plano político a eleição de Passos Coelho para líder do PSD, e a perspectiva de que a sua chegada ao poder se traduza em maior dureza nas medidas de contenção orçamental, condiciona o sentido de protesto e de voto de franjas da população mais fragilizadas economicamente e menos informadas do ponto de vista político.

Quando a única alternativa a José Sócrates que é sugerida é Passos Coelho, como se fosse uma inevitabildade as pessoas saltarem da frigideira para o lume, é natural que muita gente prefira continuar a ser cozida em fogo lento.

No entanto, essa não pode ser a postura de uma classe que tem a obrigação de ser mais informada e mais firme na defesa da cidadania. De forma ainda mais clara, essa não pode ser a posição das organizações sindicais, que têm a obrigação de assumir as suas responsabilidades político sindicais, não hipotecando a defesa dos direitos dos seus associados e da classe que representam, a cálculos de ganhos e perdas eleitorais.

Nesse sentido, penso que é tempo de todos nós retirarmos as consequências do que aconteceu nos últimos meses, e de reclamarmos o fim da chantagem política que o 1º ministro e o ministro das finanças têm exercido sobre o país.

O próximo acto será levado à cena na próxima semana. Ou o governo (e não a ministra da educação) cede ao imperativo do bom senso e recua na injustiça que quer impor, ou a AR terá que assumir a responsabilidade de intervir. Para isso é necessário que todos os partidos da oposição (PSD-CDS-BE-PCP) tomem uma posição clara, que concretize as belas palavras ditas esta semana na comissão de educação. Nesse caso poderemos estar na situação pré orçamento de 2010, identificada pelo PS como “um governo de assembleia”.

Caso nem o governo, nem a assembleia resolvam de forma justa este imbróglio, só me parece restar uma solução aos professores: pedir a demissão da equipa da educação, uma vez que o seu capital político é comprovadamente inexistente.

Em simultâneo deve dar-se início a um movimento de contestação ao governo que conduza à substituição do 1º ministro e do ministro das finanças, considerando-os personas non gratas e inimigos públicos dos trabalhadores deste país. Se isso passar por eleições antecipadas, tanto melhor. Cada um assumirá a responsabilidade individual de contribuir para a escolha de uma alternativa, seja ela apenas de figurantes da política, seja efectivamente uma alteração de políticas.